Atrasos custaram mais de US$ 2,3 bilhões à Europa em 2025, e ONU quer cortar voltas de aviões no céu

Proposta apresentada na terça-feira (27) pela Icao, agência da ONU, usa a lógica dos semáforos para coordenar o tráfego aéreo e reduzir esperas.

3 min

Além do incômodo aos passageiros, o padrão de espera na aviação custa caro às companhias e ao meio ambiente.

A ONU (Organização das Nações Unidas) apresentou um plano para reduzir os voos em círculos no céu, quando aviões ficam presos à espera de pouso. Na terça-feira (27), a entidade propôs medidas que a aviação nacional já usa, mas ainda com restrições.

O problema, na maioria das vezes, não vem de pane nem de decisão do piloto. Ele nasce de falhas na gestão do tráfego aéreo, sobretudo em aeroportos muito movimentados.

Por que aviões ficam dando voltas no céu

O chamado padrão de espera acontece quando a aeronave entra em trajetória circular em um ponto fixo do céu. Isso ocorre para resolver um problema mecânico, aguardar melhores condições climáticas ou esperar autorização para pousar.

Para cobrir esse tempo, as normas de transporte aéreo e aviação civil preveem abastecer o suficiente para um padrão de espera de até 45 minutos, além do necessário para completar a rota.

Se a permissão demorar demais e o combustível chegar perto do nível mínimo de segurança, o piloto deve avisar a torre para ganhar prioridade na fila ou mudar a rota para outra pista.

Proposta copia a lógica dos semáforos

Segundo a Icao (Organização da Aviação Civil Internacional) da ONU, as companhias aéreas do mundo transportam cerca de 5,7 milhões de passageiros por dia. O total pode chegar a 12,4 bilhões até 2050.

Com céus cada vez mais cheios, qualquer emergência ou tempestade atrasa milhares de viagens. Os prejuízos atingem as companhias, os passageiros e as empresas que dependem do transporte aéreo para enviar cargas. A Eurocontrol, responsável pela navegação aérea na Europa, afirma que só em 2025 os atrasos custaram mais de US$ 2,3 bilhões ao continente.

Leia também

O secretário-geral da agência, Juan Carlos Salazar, compara o problema ao trânsito de rua. “Se os semáforos funcionarem independentemente, o trânsito vira um caos e há engarrafamentos em todas as esquinas”, afirma. “Se alguém recebe sinal verde em uma rua e é parado na seguinte, o congestionamento aumenta imediatamente.”

Pela proposta, a solução começa no aeroporto de partida. Quando um aeroporto sabe que não pode receber aeronaves por um período, emite um sinal para que os aviões não pousem. Os demais aeroportos atrasariam as decolagens dos voos que têm como destino pistas já lotadas.

Essa lógica também reduz emissões, porque um voo com decolagem atrasada deixa de queimar combustível e emitir gases de efeito estufa no ar. Testes do modelo no continente americano, com apoio da Icao, já pouparam mais de 265 mil minutos de tempo de voo em 2026, segundo a entidade.

Na conta da organização, as economias somam mais de US$ 38,9 milhões, cerca de 13.330 toneladas de combustível e 42.160 toneladas de dióxido de carbono evitadas.

Sistema já é usado, mas de forma parcial

Salazar afirma que Brasil e Colômbia, além de países fora das Américas, já aplicam o sistema em voos nacionais. Os ganhos, porém, ficam limitados pela falta de troca de dados entre países.

Hoje, muitas informações de tráfego aéreo não circulam entre nações “por falta de vontade ou de meios para transmiti-las em tempo real”, diz o secretário. Em um voo da Europa para a Oceania, por exemplo, seriam necessárias coordenações entre quatro ou cinco regiões.

Há ainda o uso do espaço aéreo em zonas de conflito. Drones e mísseis lançados entre países obrigam as companhias a desviar rotas, o que torna os trajetos menos previsíveis.

A Redação Variedades reúne a cobertura do Clique Fatos sobre horóscopo, comportamento e curiosidades. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.