Pacífico pode ficar 3,8°C acima da média: ONU prevê El Niño “sem precedentes” até janeiro
A ONU (Organização das Nações Unidas) alertou na quarta-feira (21) que o El Niño pode chegar ao pico no fim deste ano com intensidade “sem precedentes”. O aviso foi dado em coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça.
Segundo a secretária-geral da OMM (Organização Meteorológica Mundial), Celeste Saulo, o fenômeno atingirá o ápice no final de 2026, mas os efeitos vão durar muito mais. Ela afirmou que os eventos climáticos extremos já em curso devem “se multiplicar e se espalhar” à medida que o El Niño ganhar força.
Pacífico pode ficar 3,8°C acima da média
A Atualização Global do Clima Sazonal mais recente projeta que a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical, epicentro do fenômeno, pode subir 3,8°C acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Na mesma coletiva, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, classificou o evento como “colossal, com uma força destrutiva avassaladora”. Ele prevê calor extremo, secas e inundações em várias regiões do planeta, com “consequências humanitárias de grande escala”.
O alerta chega em um momento de conflitos generalizados, populações já deslocadas, disparada nos preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos e cortes na ajuda humanitária. Para Fletcher, os danos não ficarão restritos aos países na rota direta do El Niño: podem abalar a economia global e alimentar novos conflitos, deslocamentos e migrações.
ONU libera US$ 50 milhões para 11 países
O chefe de Ajuda Humanitária defendeu que os avanços tecnológicos obtidos desde o último El Niño sejam usados para tornar comunidades vulneráveis mais resilientes.
O Ocha (Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários) liberou mais de US$ 50 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências para 11 países na linha de frente, entre eles Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul.
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Celeste Saulo ressaltou que condições climáticas extremas não precisam virar emergências humanitárias nem fazer vítimas. A prioridade, disse, é oferecer informações comprovadas para que governos e organizações humanitárias antecipem riscos, preparem operações e protejam as populações mais expostas.
O que muda nas Américas
Segundo a ONU, o noroeste dos Estados Unidos e o sudoeste da América do Sul devem ter aumento das chuvas.
Na América do Norte e na porção norte do Caribe, a expectativa é de precipitação acima do normal. Já partes da América Central, do sul do Caribe e da Amazônia enfrentam maior risco de seca.
Estiagem já atinge mais de 100 mil famílias no Amazonas
A Amazônia atravessa um período de queimadas. No Amazonas, ao menos 41 municípios estão em situação de emergência, 16 em alerta e cinco em atenção. Boletim do Governo do Amazonas divulgado na terça-feira (20) contabiliza 102.445 famílias atingidas pela estiagem.
A fumaça também piora o ar em Manaus. No domingo (18), a concentração de partículas finas chegou a 94,4 microgramas por metro cúbico às 9h30, nível classificado como “muito ruim” pela Defesa Civil municipal.
O governo federal informou que vai intensificar as ações de combate aos incêndios florestais e aos efeitos da estiagem no estado.
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