Fim das sanções, diz Oliver Blanco, é passo para preservar empregos e elevar salários na Venezuela
O chanceler da Venezuela, Oliver Blanco, pediu a suspensão imediata das sanções econômicas impostas contra o país sul-americano. A fala aconteceu durante a sessão plenária da 30ª Cúpula Ibero-Americana, realizada em Madri (Espanha).
Diante de dez chefes de Estado e representantes de 22 países da comunidade ibero-americana, Blanco afirmou que a nação atravessa um processo de transformação democrática, reconciliação nacional e recuperação econômica. Ele atribuiu o movimento à presidenta em exercício, Delcy Rodríguez.
Chanceler vê ganho regional com a transformação venezuelana
“Uma Venezuela mais estável, mais democrática e mais próspera, plenamente integrada aos mercados internacionais, contribuirá para o desenvolvimento de toda a Ibero-América”, afirmou Blanco. Em outro momento, ele disse que o processo conduzido pela presidente interina Delcy Rodríguez “representa uma oportunidade não apenas para a Venezuela, mas também para a nossa região”.
“Uma Ibero-América mais integrada pode acompanhar o renascimento da Venezuela, e essa Venezuela que renasce pode ampliar as oportunidades para toda a nossa comunidade”, completou o ministro das Relações Exteriores venezuelano.
Na avaliação de Blanco, as medidas restritivas e o bloqueio financeiro aplicados internacionalmente nos últimos anos causaram prejuízos severos à sociedade venezuelana. Segundo ele, o cerco enfraqueceu os serviços públicos, prejudicou o comércio exterior e levou à retenção de recursos soberanos no exterior, como o bloqueio de receitas petrolíferas decorrente de ordens executivas estadunidenses.
Para o chanceler, vencer os desafios internos e encerrar de vez as sanções são passos decisivos para preservar empregos, elevar salários e permitir a reintegração plena do país aos mercados internacionais. Ele também citou iniciativas recentes do governo: a Lei de Anistia, que beneficiou mais de 8 mil pessoas, a devolução do acesso a 38 portais de notícias e os avanços no diálogo com setores da oposição.
Setor elétrico sofre com falta de peças e instabilidade
O setor elétrico nacional está entre os mais atingidos pelas sanções financeiras e pela impossibilidade de importar peças de reposição e equipamentos necessários à manutenção da rede. O quadro provocou instabilidade no fornecimento e afetou diretamente o dia a dia da população em diversos estados.
Parceria com a turca Karpowership vai somar 200 megawatts em Zulia
Para conter a crise, a estatal Corporación Eléctrica Nacional fechou uma aliança internacional com a empresa turca Karpowership. O acordo prevê a contratação de duas barcaças de geração flutuante, que vão incorporar 200 megawatts de potência ao estado de Zulia, no noroeste do país.
As unidades fazem parte de um plano mais amplo do Executivo para reduzir as oscilações no serviço elétrico e apoiar a retomada da produção industrial e petrolífera. O governo espera que o reforço traga estabilidade imediata ao sistema elétrico zuliano e crie condições para o desenvolvimento econômico e social da região.
Recuperação energética deve atrair investimentos
Com a modernização do sistema tributário e novos marcos regulatórios, a gestão de Delcy Rodríguez projeta que a recuperação do setor atraia investimentos produtivos e novas oportunidades para a população. A expectativa é que isso também estimule o retorno de venezuelanos que deixaram o país nos últimos anos.
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