Nutricionista esclarece se leite, glúten e refrigerante zero inflamam ou causam câncer

A nutricionista explica que leite e glúten não são inflamatórios para a maioria, mas alerta sobre o consumo de aspartame em refrigerantes zero.

20/09/2026 07:52

3 min

Mitos sobre alimentação causam terror nutricional
Mitos sobre alimentação causam terror nutricional

Muita gente acredita que o leite de vaca é um alimento altamente inflamatório. Ariane Brasil discorda dessa visão generalizada. “Para a maioria das pessoas, ele pode fazer parte de uma alimentação equilibrada”, afirma. A nutricionista lembra que o leite é fonte de proteínas, cálcio, fósforo, potássio e vitaminas como B 2, B 12 e D, nutrientes essenciais para ossos e músculos.

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Ela ressalva, porém, que indivíduos com intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite podem sentir desconforto abdominal, gases e diarreia. “Isso não significa, porém, que o leite seja inflamatório para toda a população”, completa.

Leite de vaca e glúten: vilões ou não?

A profissional também alerta para o consumo exagerado da versão integral, rica em gordura saturada e calorias. O caso do glúten é parecido. Pessoas com doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade não celíaca realmente precisam evitá – lo. “Na doença celíaca, o consumo de glúten desencadeia uma resposta imunológica que pode lesionar o intestino delgado”, explica Brasil.

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Já a sensibilidade não celíaca provoca sintomas, mas sem o mesmo dano intestinal. A nutricionista faz ainda um alerta: produtos “sem glúten” nem sempre são mais saudáveis ou ajudam a emagrecer. Muitos contêm quantidades consideráveis de açúcar, gordura e calorias.

Refrigerante zero, água e sucos detox

Em 2023, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classificou o aspartame, adoçante presente em refrigerantes zero, como “possivelmente carcinogênico”. A informação assustou muita gente, mas Ariane Brasil contextualiza o risco. “Essa classificação indica um possível perigo, mas não significa que o consumo habitual da substância, dentro dos limites recomendados, provoque câncer”, diz.

Ela acrescenta que o comitê de especialistas da FAOOMS (JECFA) manteve a ingestão diária aceitável em até 40 mg de aspartame por quilo de peso corporal. A bebida pode até ser incluída em dietas de emagrecimento, mas não deve substituir a água ou outras opções nutritivas.

Outro mito comum é o de que a água incha o corpo. A nutricionista é categórica: “Pelo contrário: uma hidratação adequada é importante para o funcionamento dos rins e para o equilíbrio dos líquidos do organismo”. O aumento momentâneo de peso ou a sensação de estufamento após beber muita água de uma só vez não é retenção de líquidos, explica.

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O inchaço persistente, porém, merece investigação médica. Já os sucos “detox” não têm o poder de eliminar toxinas acumuladas. O próprio corpo, com órgãos como fígado e rins, já faz esse trabalho. “A questão está em atribuir ao suco uma capacidade de ‘limpar’ o organismo ou compensar uma alimentação desequilibrada”, afirma Ariane.

Para ela, não existe alimento ou bebida que faça “faxina” no corpo. “Uma alimentação variada, adequada em fibras e nutrientes, hidratação, atividade física, sono e consumo moderado de álcool são muito mais relevantes para a saúde metabólica”, conclui.

Congelamento preserva nutrientes?

Ariane Brasil também derruba a ideia de que congelar alimentos faz com que eles percam nutrientes. Na prática, o congelamento pode preservar a qualidade nutricional por mais tempo. As perdas acontecem em outras etapas, como armazenamento prolongado, exposição ao calor ou contato com água.

No caso dos vegetais, o branqueamento — uma rápida passagem por água quente antes do congelamento — pode provocar alguma perda, mas é feito justamente para preservar a cor, a textura e a qualidade do alimento. O cuidado, segundo a profissional, deve ser com os ciclos repetidos de descongelamento e recongelamento.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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