Baleia-jubarte que se recusou a abandonar filhote morto vira caso científico na Austrália

O comportamento da baleia-jubarte que não abandonou o filhote morto foi classificado como “epimelético” em novo estudo científico.

20/09/2026 06:30

2 min

Baleia-jubarte foi vista exibindo luto por filhote que nasceu morto
Baleia-jubarte foi vista exibindo luto por filhote que nasceu mo...

Em julho de 2025, uma baleia – jubarte foi flagrada diversas vezes na costa da Austrália acompanhando um filhote que já havia nascido morto. As imagens da mãe tocando e “abraçando” o corpo do pequeno animal viralizaram e comoveram a internet. Agora, o caso ganhou status científico: virou tema de um artigo publicado na revista Discover Animals.

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Os pesquisadores Jan – Olaf Meynecke, da Universidade de Griffith, e Andrew Mulville, da Sea World Foundation, assinam o estudo. Eles analisaram o comportamento da jubarte e o classificaram como um exemplo de “comportamento epimelético” — quando um animal saudável dedica atenção e cuidado a outro que está doente, moribundo ou já morto.

O encontro na Costa de Ouro

Tudo começou por volta das 8h da manhã do dia 17 de julho de 2025. Duas baleias foram avistadas na região da Costa de Ouro australiana. Meia hora depois, uma membrana amniótica emergiu na superfície, indicando que uma das fêmeas havia acabado de dar à luz.

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Às 8h 45, um filhote pequeno da mesma espécie foi visto imóvel no fundo do mar. Uma baleia fêmea se aproximou do corpo e começou a tocá – lo com a cabeça e a nadadeira peitoral. Em um dos momentos mais marcantes, ela olhou diretamente nos olhos do filhote morto.

A mãe também deitou – se no fundo do mar ao lado do corpo, cobrindo – o com a nadadeira, como se estivesse abraçando o filhote.

Os cientistas notaram um detalhe importante: a baleia não tentou empurrar ou levar o filhote até a superfície para ajudá – lo a respirar. Isso sugere que ela percebeu a morte logo após o parto. As duas baleias adultas continuaram sendo vistas nos dias seguintes, sempre circulando a área onde o corpo estava.

Elas se moviam lentamente, mergulhavam por alguns minutos e voltavam à superfície repetidas vezes.

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O que o comportamento revela

Para os autores do artigo, a atitude da jubarte evidencia um forte apego ao filhote. Eles afirmam que o comportamento reforça um impulso evolutivo que muitos biólogos associam à capacidade de se comprometer com outros indivíduos, mesmo que isso custe estresse emocional.

Apesar das imagens impressionantes, os pesquisadores reconhecem que ainda há limites no estudo. Não foi possível medir a resposta neurológica ou fisiológica da baleia durante o ocorrido. Por isso, eles defendem que mais análises são necessárias para entender melhor as relações sociais, os sentimentos e a evolução dos animais marinhos.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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