Nova terapia promete esperança para depressão resistente com implante inovador nos nervos do pescoço
Uma nova esperança para quem sofre de depressão resistente: estudo revela que implante no pescoço pode reduzir crises em até 80%! Descubra mais!
Nova Terapia para Depressão Resistente ao Tratamento
Pessoas que sofrem de depressão resistente ao tratamento estão mais próximas de descobrir uma nova abordagem terapêutica complementar. Um estudo recente revelou que o uso experimental de um implante nos nervos do pescoço, semelhante a um marca-passo cardíaco, está associado a melhorias nos sintomas e a períodos mais prolongados sem crises em pacientes com depressão crônica.
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A pesquisa foi publicada em janeiro e acompanhou 214 adultos que já haviam tentado, pelo menos, quatro tipos diferentes de antidepressivos sem obter resultados significativos. Alguns desses pacientes conviviam com a condição há mais de 17 anos.
Os participantes utilizaram o dispositivo ao longo de 12 meses e foram monitorados por mais um ano. O estudo utilizou o estimulador do nervo vago (VNS, na sigla em inglês), um tratamento já reconhecido para epilepsia resistente. O implante é colocado cirurgicamente sob a pele, no lado esquerdo do peito, e conectado aos nervos do pescoço.
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Os resultados mostraram que o equipamento também é eficaz contra a depressão, com uma redução de 80% nos episódios de crise. Além disso, o número de pacientes que relataram melhorias aumentou no acompanhamento final, indicando que os efeitos podem ser ainda mais positivos em períodos mais longos.
Efeitos Gradativos do VNS
Aproximadamente 35% dos pacientes que não perceberam benefícios no primeiro ano do estudo começaram a notar melhorias posteriormente. Isso se deve ao fato de que o efeito do VNS é gradual, tornando-se visível entre três a seis meses após a implantação do dispositivo, mas com a vantagem de se intensificar ao longo do tempo. “A estimulação neural é uma das mais recentes opções para lidar com casos de depressão resistente ao tratamento”, afirma o psiquiatra Alfredo Maluf, do Einstein Hospital Israelita. “É importante destacar que o VNS é um tratamento complementar, e as medicações antidepressivas devem ser mantidas.”
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O Papel do Nervo Vago na Depressão
O nervo vago integra o sistema nervoso parassimpático, que opera sem a necessidade de pensamento consciente e controla órgãos como coração, pulmão e intestino. Ele desempenha um papel crucial na regulação de hormônios que afetam diretamente a depressão. “O nervo vago regula neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina, essenciais para o controle do humor, influenciando redes cerebrais ligadas à resposta ao estresse, motivação e percepção emocional”, explica a neurologista Gisele Sampaio Silva, líder de pesquisa clínica em Neurologia no Einstein.
Pesquisas indicam que o VNS pode diminuir a hiperatividade cerebral em áreas relacionadas ao pensamento acelerado e aumentar a conectividade em regiões que controlam as emoções. “Essa modulação pode ajudar a reorganizar circuitos desregulados na depressão crônica, promovendo uma melhora gradual dos sintomas.
Ou seja, não provoca felicidade, mas ajuda a reequilibrar circuitos disfuncionais”, detalha Silva. Para pacientes com depressão resistente, esse efeito potencializa os benefícios dos medicamentos e outras terapias, sendo essencial para aqueles que enfrentam crises recorrentes e sintomas mais severos, como tristeza extrema e alterações significativas no apetite e sono.
“O quadro clínico nesses casos é caracterizado principalmente pela falta de prazer, humor deprimido ou tristeza constante, além de desânimo, perda de força, pensamento lento, ideias de ruína e culpa, podendo até levar a delírios e ideação suicida”, relata Maluf. “É uma situação muito grave que requer uma abordagem imediata.” Além do tratamento com antidepressivos e técnicas experimentais como o VNS, a abordagem terapêutica para a depressão resistente também inclui suporte psicoterapêutico e incentivo à atividade física.