Netflix reduz previsão de lucro e ações caem quase 6% no pós-mercado
A Netflix divulgou, nesta terça-feira (20), uma previsão de lucro para o quarto trimestre abaixo das expectativas dos analistas. No pós-mercado, as ações da empresa caíram quase 6%, para US$ 64,66.
A companhia estimou lucro líquido de US$ 2,79 bilhões e lucro por ação de US$ 0,67 no período. A média das projeções de analistas era de US$ 3,07 bilhões e US$ 0,73 por ação.
Receita cresce 11,8% no terceiro trimestre
Entre julho e setembro, a receita avançou 11,8%, para US$ 12,87 bilhões, em linha com as previsões de Wall Street. Foi, porém, o menor ritmo de crescimento em quase três anos. O lucro por ação ficou em US$ 0,87, acima da estimativa média de US$ 0,82 dos analistas consultados pela LSEG.
A Netflix também reduziu a previsão de receita com publicidade para 2026: cerca de US$ 2,7 bilhões, ante os cerca de US$ 3 bilhões projetados anteriormente. Em carta trimestral aos acionistas, executivos atribuíram a revisão ao lançamento mais lento do que o esperado de alguns recursos dos produtos publicitários.
As ações da empresa já haviam recuado mais de 40% em um ano antes da divulgação dos resultados. A projeção para o quarto trimestre e a queda no pós-mercado foram anunciadas dias depois de a Netflix demitir 6% de sua força de trabalho e substituir dois de seus principais executivos de programação.
Ted Sarandos diz que Netflix vai priorizar conteúdo
O co-presidente-executivo Ted Sarandos afirmou que a empresa pretende se concentrar em seu negócio principal: produzir séries e filmes de qualidade para tornar o serviço indispensável. Ele disse que a reformulação recente da equipe executiva faz parte desse esforço.
“Sei que podemos fazer melhor”, disse Sarandos em videoconferência após a divulgação dos resultados. “Agora vimos uma oportunidade de levar nosso catálogo a um novo patamar.”
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No relatório, a empresa também afirmou que vai ampliar o licenciamento de conteúdo de terceiros e manter o foco no streaming de TV, filmes e eventos ao vivo. Os executivos disseram que os programas originais devem “estimulem conversas, atraiam mais assinantes e nos tornem um serviço ‘indispensável’”.
A programação do trimestre incluiu “Monstro: A História de Lizzie Borden”, a segunda temporada de “Magnatas do Crime”, a temporada final de “Outer Banks” e um reboot de “Uma Casa na Pradaria”. A Netflix também tem investido em videogames, podcasts e eventos ao vivo para atrair espectadores e aumentar o tempo de permanência dos assinantes na plataforma.
Concorrência e perda de assinantes pressionam a empresa
A empresa enfrenta a concorrência do crescimento de audiência no You Tube e no Tik Tok. Analistas de Wall Street têm questionado como a Netflix poderá retomar o crescimento. “A Netflix continua sendo uma máquina bem lubrificada e altamente lucrativa, mas está focada em muitas distrações indesejadas”, disse Paolo Pescatore, analista da PP Foresight. “A empresa precisa voltar ao essencial e se concentrar em conteúdo atraente.”
Na semana passada, a Netflix demitiu 1.000 pessoas, cerca de 6% dos funcionários. A empresa substituiu a diretora criativa Bela Bajaria e anunciou que Dan Lin, chefe de cinema, estava deixando a companhia.
A Netflix perdeu neste ano uma disputa pela Warner Bros Discovery e seu acervo de personagens, vendido para a Skydance, liderada por David Ellison. Alguns analistas avaliam que a empresa poderia buscar outros alvos de aquisição, como a NBCUniversal, depois que a Comcast a desmembrar.
Dados da empresa de análise Antenna indicam que a Netflix registrou perdas mensais de assinantes nos EUA ao longo de 2026, sem ganhos líquidos em nenhum mês até setembro. A Antenna calcula as aquisições de assinaturas no país com fontes como transações de cartão de crédito, mas não inclui assinaturas contratadas por meio de pacotes de atacado.
Um porta-voz da Netflix afirmou que os dados da Antenna “não são representativos do desempenho comercial da Netflix”.
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