Eleição em Israel nesta terça (27): bloco de Netanyahu precisa de 61 das 120 cadeiras do Knesset

Pesquisa do Channel 13 indica que o bloco do premiê pode cair de 64 para 50 assentos, no primeiro pleito desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

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Urna eleitoral israelense em uma escola de Tel Aviv, em 26 de outubro

Eleitores israelenses vão às urnas na terça-feira (27) para as eleições gerais do país. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenta se manter no cargo em meio a críticas de rivais políticos. É a primeira vez desde 1988 que uma legislatura chega ao fim do mandato completo, sem dissolução antecipada.

O voto é facultativo para maiores de 18 anos. O Comitê Central Eleitoral, órgão do governo encarregado de organizar e apurar as eleições, informou que 7,3 milhões de eleitores estão registrados e aptos a votar nas cerca de 12 mil seções do país.

Pesquisas indicam que Netanyahu pode perder a maioria

O pleito é o primeiro desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra no Oriente Médio. Na ocasião, mais de 1.200 pessoas morreram e 251 foram levadas como reféns. Em resposta, o governo de Netanyahu lançou uma ofensiva contra a Faixa de Gaza, onde mais de 75 mil pessoas foram mortas desde o começo do conflito.

A rodada mais recente de pesquisas pré-eleitorais indica que o bloco do premiê não deve alcançar maioria. A pesquisa do Channel 13 News prevê que o grupo caia dos atuais 64 assentos para 50 no Knesset, que tem 120 cadeiras.

Já o principal rival de Netanyahu, o ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel Gadi Eisenkot, também deve ficar sem maioria. Nesse cenário, ele precisaria do apoio dos partidos árabes para tirar o premiê do poder. O bloco de direita e religioso de Netanyahu precisa de ao menos 61 assentos para alcançar uma “vitória absoluta”.

Quem são os principais rivais de Netanyahu?

O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que perdeu um filho na Faixa de Gaza, lidera a lista de adversários. Ele se apresenta como alguém de fora da política tradicional, um soldado defensor de uma linha dura em segurança. Sua origem humilde e os sacrifícios da família contrastam com as décadas de Netanyahu em cargos de alto escalão e com as acusações de corrupção contra o premiê.

Naftali Bennett e Yair Lapid, ex-primeiros-ministros, também aparecem na disputa. Os dois, que estavam em lados opostos do espectro político, se uniram para tirar Netanyahu do poder nas eleições de 2021. O governo que formaram reunia partidos liberais e conservadores e, pela primeira vez na história de Israel, um partido árabe islâmico.

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A administração durou 18 meses.

O ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman foi assessor e aliado de Netanyahu e também surge como possível rival. Ainda mais duro que o antigo chefe, Lieberman deixou o governo em 2018, acusando o premiê de ser brando demais com combatentes palestinos em Gaza.

Desde então, virou um dos críticos mais ferrenhos de Netanyahu.

Coalizão de Netanyahu fez concessões a aliados da extrema direita

O Likud, partido de direita de Netanyahu, governa o país desde 2009, com uma breve interrupção entre junho de 2021 e dezembro de 2022. Hoje, a sigla governa em coalizão com o Sionismo Religioso, do ministro das Finanças Bezalel Smotrich, defensor dos assentamentos na Cisjordânia, e com o Poder Judaico, do ministro de Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir, que propõe expulsar os palestinos de Gaza.

O Judaísmo Unido da Torá também fazia parte da coalizão, mas deixou o governo por causa da disputa sobre o recrutamento militar obrigatório de judeus ultraortodoxos.

Analistas avaliam que, para governar e tentar manter o apoio dos partidos haredi e das siglas da ultradireita, Netanyahu cedeu em vários pontos. Em julho, a coalizão do Likud pressionou pela aprovação da isenção do serviço militar obrigatório para ultraortodoxos.

Já o Partido Sionista Religioso conseguiu que o governo aprovasse um pacote de centenas de milhões de dólares para financiar assentamentos na Cisjordânia ocupada.

Em troca, esses partidos apoiaram iniciativas como uma legislação para limitar a autoridade do procurador-geral e um projeto de lei para reformular as regras de radiodifusão. Mesmo assim, as pesquisas mais recentes sugerem que o Likud pode não ter apoio suficiente de siglas mais à direita ou setoriais para formar maioria.

Partidos Yashar e Juntos disputam a vaga de principal oposição

O Yashar foi criado em 2025 por Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior escolhido pelo próprio Netanyahu e agora visto como seu principal concorrente. Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot se apresenta como militar de carreira e outsider da política.

Ele, porém, não deve suavizar a política regional de Israel. Como general, foi figura central na estratégia militar israelense de uso de força massiva, inclusive contra infraestrutura civil, após a guerra do Líbano de 2006, e participou do planejamento estratégico no início da guerra em Gaza.

Em terceiro lugar nas pesquisas aparece o partido Juntos (Beyachad), fundado por Naftali Bennett e Yair Lapid. A dupla, que formou uma coalizão improvável em 2022, interrompeu 12 anos seguidos de governo Netanyahu e agora uniu forças para criar a sigla.

O partido aposta em reformas internas, inclusive no serviço militar dos ultraortodoxos, mas não deve adotar estratégia muito diferente da atual para a segurança nacional e a política externa.

Para João Koatz Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv e colaborador do Instituto Brasil Israel, “O que Netanyahu tenta fazer agora é impedir que a oposição consiga mais de 60 parlamentares, a ponto de formar uma coalizão […] Ele também tem o desafio de levar às urnas os eleitores, principalmente os mais moderados, que estão descontentes com o desempenho do governo e com as grandes rupturas sociais causadas por ele”.

Para a oposição, a eleição já é vista como a mais importante da história de Israel, segundo o professor de Sociologia da UFRJ e coordenador do Núcleo de Estudos Judaicos, Michel Gherman. “Ao que tudo indica, o nível de participação deve ser acima do normal entre grupos urbanos, seculares e árabes, que votam menos, normalmente. Já os grupos pró-Netanyahu têm estado menos entusiasmados e demonstrado menos confiança no Parlamento”, diz Gherman.

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