Nepal reconstruirá sistema de alerta na fronteira com a China após enchente devastadora

Equipamentos com conexão via satélite devem manter os alertas ativos mesmo após falhas nas redes móveis e ampliar a proteção de comunidades rio abaixo.

Enchente desceu vale antes de destruir múltiplos imóveis no Nepal

O Nepal prepara a reconstrução de um sistema de alerta para deslizamentos de terra em Timure, povoado fronteiriço do distrito de Rasuwa, na fronteira com a China. A estrutura terá sensores sísmicos, câmeras e conexão via satélite, segundo duas fontes do governo nepalês ouvidas pela Reuters.

A decisão foi tomada uma semana depois de uma enchente causada pelo colapso de uma geleira. A água, a lama e as rochas avançaram por vales montanhosos no mesmo corredor fluvial da fronteira com a China, deixando milhares de mortos e desaparecidos, conforme boletins divulgados até esta quarta – feira (2.

Nepal quer reforçar monitoramento na fronteira

Os novos equipamentos devem ser instalados em uma área considerada sensível da fronteira do Nepal com o Tibete chinês. O local fica em uma região de grande altitude, acompanhada de perto por Katmandu, Pequim e Nova Délhi.

O Nepal ainda não divulgou oficialmente o plano. As duas fontes falaram sob condição de anonimato porque não tinham autorização para comentar o assunto, mas afirmaram que as autoridades consideram urgente a instalação do sistema.

A primeira etapa prevê a montagem de câmeras, sensores e um sistema de satélite conhecido como VSAT (Very Small Aperture Terminal) em um único ponto. O trabalho ficará a cargo da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal (NDRRMA.

Conexão via satélite deve manter alertas ativos

O VSAT permitirá que os postos de monitoramento continuem conectados mesmo se as redes de telefonia móvel deixarem de funcionar. A expectativa é identificar novos riscos com rapidez e avisar as comunidades que vivem rio abaixo.

A enchente da semana passada destruiu pelo menos quatro estações de medição próximas à fronteira. Uma das fontes explicou que o sistema anterior enviava mensagens a cada poucos minutos, mas não era acompanhado de maneira abrangente.

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“Já tínhamos sensores e estações de monitoramento, mas eles não eram monitorados de forma abrangente”, disse a fonte. Ela acrescentou: “Como não sabíamos disso, não pudemos verificar quando eles pararam de funcionar.”

Autoridades fizeram um levantamento da área de helicóptero para avaliar os pontos de instalação. Outros equipamentos devem ser acrescentados posteriormente, de acordo com a segunda fonte.

Alerta daria poucos minutos para evacuação

O perigo imediato passou depois que os lagos represados formados após o colapso da geleira escoaram. Mesmo assim, o terreno permanece instável e continua sob monitoramento, segundo uma das fontes.

Um sistema voltado a eventos provocados por deslizamentos não impediria uma nova enchente, mas poderia antecipar o aviso às comunidades. Na prática, as autoridades teriam apenas alguns minutos para agir — tempo curto, porém potencialmente decisivo.

A enchente atingiu uma passagem de fronteira às 8h 32, enquanto o alerta público foi emitido somente às 9h 13, segundo reportagem anterior da Reuters. O episódio expôs a dificuldade de manter os equipamentos funcionando em uma área sujeita a desastres.

Antes do desastre, o Nepal havia pressionado a China por dados mais detalhados e em tempo real sobre o deslocamento de geleiras e os níveis dos rios. Desde a enchente, a China informou que compartilhou imagens das áreas afetadas, dados de satélite e hidrológicos, além de alertas sobre lagos represados a montante.

Agora, autoridades nepalesas planejam ampliar a cooperação entre os dois países.