Enel SP derruba espera por emergência de 12h39 para 5h06 em três anos

Dados da Aneel colocam a Enel SP como a quinta menor média entre 33 distribuidoras, mas o indicador exclui apagões causados por eventos extremos.

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Enel SP derruba espera por emergência de 12h39 para 5h06 em três anos | Foto: Agência Brasil

A Enel Distribuição São Paulo cortou em 59,7% o tempo médio para atender emergências na comparação entre os sete primeiros meses de 2023 e o mesmo intervalo de 2026. O dado foi obtido em levantamento feito com informações da (Aneel) Agência Nacional de Energia Elétrica.

A média caiu de 759 para 306 minutos, ou seja, de 12 horas e 39 minutos para 5 horas e 6 minutos. Cada ocorrência passou a ser resolvida, em média, cerca de sete horas e meia mais cedo. Entre 33 distribuidoras comparadas, a Enel SP tinha a terceira pior média em 2023 e chegou à quinta menor em 2026.

Queda de 29,6% só entre 2025 e 2026

O recuo foi gradual ao longo dos quatro anos analisados. A concessionária paulista marcou 680 minutos em 2024 e desceu para 434 minutos em 2025. Na virada para 2026, o tempo encolheu mais 29,6%.

No restante do setor, o movimento não foi uniforme. Das 33 empresas avaliadas, 19 conseguiram reduzir o tempo de atendimento entre 2023 e 2026, e 14 pioraram. A CPFL Piratininga teve a menor média em 2026: 180 minutos, o equivalente a três horas.

A comparação inclui apenas concessionárias com mais de 500 mil unidades consumidoras. Como abrange somente os meses de janeiro a julho de cada ano, não reflete o desempenho anual das empresas. Clima, número de clientes, tamanho e perfil das áreas atendidas também pesam na hora de comparar uma distribuidora com outra.

O que mede o TMAE e o que fica de fora

O TMAE (Tempo Médio de Atendimento a Emergências) está entre os indicadores que a Aneel divulga para acompanhar como as distribuidoras respondem a ocorrências emergenciais. Quanto menor o número, mais cedo a luz volta para o consumidor.

O cálculo, porém, deixa de lado as chamadas “situações de emergência”, como ciclones, alagamentos extremos e outros eventos fora do controle operacional, conhecidos como “expurgos”. Na prática, os apagões vividos pela Enel não aparecem no indicador.

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Para o presidente da Enel São Paulo, Guilherme Lencastre, o resultado vem de reforço de equipe e de dinheiro aplicado na rede. Ele afirma que a companhia admitiu perto de 1.600 profissionais, destinou cerca de R$ 5 bilhões para modernizar, tornar mais resiliente e ampliar a infraestrutura elétrica e dobrou a quantidade anual de podas de árvores.

“Reduzimos em cerca de 60% o tempo médio de atendimento aos clientes e saltamos para a 5ª posição no ranking das 33 distribuidoras avaliadas. Trata-se de uma evolução expressiva, a maior entre todas as distribuidoras (…). Esses resultados comprovam que estamos no caminho certo e reforçam nossa capacidade de seguir investindo, dando continuidade ao ciclo de melhorias”, declarou o executivo.

Enel pode perder a concessão

Os números surgem enquanto corre um processo que pode tirar a concessão da empresa. A Aneel abriu o procedimento depois de analisar falhas no atendimento em eventos climáticos severos de 2023, 2024 e 2025, quando milhões de clientes ficaram longos períodos sem energia.

Na decisão que deu início ao caso, em 7 de abril, a agência citou demora no atendimento, aumento de cortes com mais de 24 horas e problemas no planejamento e na execução dos planos de contingência. Para o órgão, as providências tomadas pela Enel não bastaram para resolver as falhas. “A melhora pontual de indicadores ou de resposta a eventos específicos não afasta a caracterização de inadequação do serviço”, diz o texto, escrito antes do fechamento do período de janeiro a julho de 2026 usado no levantamento.

A distribuidora entregou suas alegações finais neste mês. Nelas, contesta os critérios da agência, pede a anulação do processo, diz cumprir os indicadores regulatórios de duração e frequência das interrupções e questiona se existe uma métrica definida previamente para o restabelecimento após eventos climáticos severos.

Quando encerrar o processo, a Aneel vai decidir se recomenda ao Ministério de Minas e Energia a caducidade, que é o fim antecipado da concessão por descumprimento de obrigações. A palavra final é do ministério. A Enel atende 8,9 milhões de unidades consumidoras em 24 municípios paulistas, incluindo a capital.

Atualização em 28/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.

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