Murillo de Aragão analisa influência da geopolítica nas eleições de 2026 em entrevista ao WW

A negociação tarifária entre Brasil e Estados Unidos não deve ser vista como o único fator a influenciar as eleições de 2026. Essa análise é de Murillo de Aragão, cientista político e CEO da Arko Advice, que discutiu o ambiente político e eleitoral do Brasil em entrevista ao WW.
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Ele ressaltou que, embora o tema seja relevante, será amplamente debatido por diferentes grupos durante a campanha. “Não podemos considerar esse assunto isoladamente como decisivo nas eleições”, disse Aragão. “Estamos vivendo um verdadeiro carrossel de emoções, uma espécie de novela mexicana, onde a cada semana surge um fato novo que modifica a popularidade de alguém.”
O papel da geopolítica nas eleições
Aragão observou que, pela primeira vez, questões internacionais estão se inserindo de maneira significativa no debate eleitoral brasileiro. Um exemplo disso foi uma declaração do Itamaraty sobre a possibilidade de intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil — afirmação que foi negada posteriormente pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. “Como chegamos ao ponto de acreditar oficialmente que poderia haver algum tipo de ação militar norte – americana no Brasil?
Isso seria impensável se analisássemos o passado”, afirmou.
Para ele, nenhuma eleição recente, especialmente desde a redemocratização, teve uma influência tão marcante da geopolítica. Embora essa questão possa não impactar diretamente o eleitor comum, tem o potencial de bagunçar as narrativas dos candidatos.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode defender a teoria da soberania, mas seus adversários podem argumentar que essa postura prejudica a economia ao dificultar negociações.
“Ambos os lados das eleições podem ser afetados por essa questão”, destacou Aragão.
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A politização do Itamaraty
Outro ponto abordado foi a politização do Itamaraty, que teria adotado um vocabulário incomum para uma instituição desse porte — incluindo referências a “traidores da pátria” — além da resposta do chanceler Mauro Vieira à Comissão de Relações Exteriores da Câmara sobre o risco de operações militares estrangeiras no país.
Aragão avaliou o ambiente institucional brasileiro e apontou o conflito entre o Executivo e o Senado Federal como uma preocupação central.
Ele citou a rejeição do advogado – geral da União, Jorge Messias, como um exemplo claro do bloqueio às pautas governamentais. “Não há um diálogo firme entre a presidência da República e o Senado Federal”, afirmou.
Enquanto não houver clareza sobre a composição do Congresso após as eleições, essa incerteza deverá persistir e nenhum projeto significativo deverá ser votado — exceto aqueles com impacto eleitoral.
Aragão também alertou para a possibilidade de um populismo legislativo, onde o Congresso aprovaria medidas que beneficiassem candidatos à reeleição.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



