Influenciadores promovem desinformação sobre orgasmo feminino, diz psicóloga Michelle Sampaio

Influenciadores, em sua maioria homens, têm acumulado milhões de visualizações ao sustentar que o auge do prazer sexual das mulheres seria um mito ou invenção da cultura.
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Essa ideia, que parece absurda à luz da ciência, tem fomentado debates acalorados sobre sexualidade, desinformação e relações de gênero.
A ciência é clara: o orgasmo feminino é um fenômeno biológico real, amplamente documentado por diversas pesquisas. Durante o orgasmo, o corpo da mulher passa por uma série de reações fisiológicas, incluindo contrações involuntárias dos músculos pélvicos, aumento da frequência cardíaca e liberação de hormônios que ativam diferentes áreas do cérebro ligadas ao prazer.
O que acontece durante o orgasmo feminino
“O orgasmo feminino não ocorre apenas na genitália. Ele envolve tanto o corpo quanto o cérebro simultaneamente. No corpo, há um aumento da frequência cardíaca e respiratória, além de tensão muscular e contrações rítmicas na musculatura do assoalho pélvico.
No cérebro, ativam – se circuitos relacionados ao prazer e à emoção”, explica Michelle Sampaio, psicóloga e sexóloga, que também é diretora da ABEMSS (Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual.
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A trajetória até o orgasmo feminino é bastante variada em comparação com a masculina. Diversos fatores físicos, emocionais e psicológicos influenciam essa experiência. Além disso, as mulheres podem vivenciar o orgasmo de maneiras distintas, contribuindo para que esse tema permaneça envolto em mitos.
Historicamente, a sexualidade feminina foi tratada como um assunto secundário ou até ignorado pela sociedade. Em certos períodos históricos, acreditava – se que o prazer feminino não era real, diminuindo a importância do desejo e satisfação das mulheres. “Quando uma mulher aprende que seu prazer não é válido ou que não deve se importar com ele, isso afeta sua expressão sexual.
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Essa falta de autonomia impacta sua comunicação e satisfação sexual,” observa Sampaio.
Insegurança masculina e desinformação
A insegurança masculina também pode explicar a popularidade dessas narrativas negacionistas sobre o orgasmo feminino. Minimizar ou negar essa realidade pode ser uma forma para alguns homens evitarem discussões sobre desempenho sexual ou conhecimento do corpo da parceira.
Além disso, em ambientes digitais onde o engajamento é valorizado, opiniões polêmicas tendem a gerar mais interação e compartilhamentos. “No passado, muitos homens utilizavam as mulheres para seu próprio prazer; agora existe uma expectativa de que os homens proporcionem prazer às mulheres e que seu desempenho determine isso.
Contudo, muitas mulheres experimentam mais prazer através de conexões emocionais,” complementa Carolina Ambrogini, sexóloga e ginecologista da Unifesp.
Para combater esses discursos negacionistas sobre o orgasmo feminino, as especialistas defendem a importância da educação sexual voltada tanto para homens quanto para mulheres. “Uma educação baseada em evidências ensina anatomia junto a questões sobre linguagem e autonomia.
Isso é crucial para ajudar as mulheres a superarem sentimentos de culpa e desmistificarem crenças errôneas,” finaliza Sampaio.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



