Mulheres representam menos de um terço das diretorias do setor financeiro em 2026

Mulheres representam cerca de um terço das posições C – level (diretoria) em instituições financeiras no Brasil. Segundo mapeamentos recentes do setor, elas ocupam 34% dos cargos executivos nessas empresas.
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O estudo realizado pela consultoria FESA Group analisou dados coletados junto a 82 grandes bancos brasileiros e reuniu informações de 249 profissionais distribuídos por diversas funções de liderança nas áreas financeira.
Distribuição feminina na alta gestão bancária
A análise da distribuição mostra que as mulheres já conquistaram maior presença nos departamentos ligados ao capital humano: Recursos Humanos concentra o máximo percentual feminino com destaque para os setores Relações Institucionais (57%) e Sustentabilidade.
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Nestes campos, elas representam mais da metade dos cargos em posições estratégicas.
No entanto, à medida que se avança pelas operações centrais do banco — como a Gestão Patrimonial ou Jurídico —, essa proporção diminui consideravelmente. Em finanças gerais é possível encontrar 40% de ocupação feminina; no jurídico há cerca de 46%, enquanto na gestão patrimonial chega aos 46,15%.
O funil: áreas com maior poder decisório
A dificuldade aumenta nas funções onde o controle sobre capital e risco são exercidos diretamente pelos executivos masculinos. Nos cargos específicos ligados ao investimento (investment banking), por exemplo, apenas 17,4% das mulheres estão em posições proeminentes como CFO.
Mesmo somando as demais chefias do setor financeiro àquela área específica, a presença feminino sobe para um patamar mais alto — cerca de 33,8%, valor próximo da média geral apontada pela FESA Group no nível C – level.
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Setor bancário enfrenta desafios estruturais
Fabiana Rocha, diretora da consultoria e especialista reconhecida na área financeira, enfatiza que o sistema bancário ainda tem muito caminho percorrido. Ela aponta que é urgente dar velocidade ao aumento da diversidade feminina nas instituições, especialmente nos setores onde se toma maior poder decisório.
Essa tendência não ocorre apenas dentro do setor financeiro; ela reflete um problema sistêmico mais amplo em outras áreas de gestão corporativa também. Uma pesquisa anterior realizada por Mercer com 443 mil colaboradores analisou 215 organizações brasileiras no mercado financeiro.
Desigualdade salarial acompanha a carreira. Segundo os dados dessa mesma consultoria, mesmo o gênero feminino representando metade dos funcionários na base operacional desses bancos, há uma clara disparidade: as mulheres recém – contratadas ganham cerca de 3% menos que seus pares masculinos.
A diferença se acentua nos níveis superiores da hierarquia profissional; enquanto quem está começando perde um pouco em salário e aqueles cargos mais altos podem ganhar até 16% a menos do quanto recebem homens com posições equivalentes. Além disso, no cenário fora das finanças bancárias — como conselhos administrativos —, Dados apresentados pela Heidrick & Struggles mostram esse funil apertando desde os anos anteriores ao estudo.
O padrão histórico na liderança
Os números indicam o chamado “funil” de carreira: uma entrada equilibrada por gênero que sofre progressivamente afunilhamento à medida que se escala nos degraus da alta gestão corporativa.
Esse aperto é particularmente sentido nas áreas onde as decisões sobre alocação e risco são tomadas; historicamente foram justamente essas funções em que mulheres tiveram menos acesso a patrocínio interno, visibilidade ou oportunidades formais para participar do conselho das empresas listadas.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



