Mulheres negras impulsionam acesso à saúde no Rio após mobilização comunitário

O Projeto Saúde das Mulheres Negras é uma iniciativa desenvolvida pela ONG Criola, em parceria com mais de 4organizações e lideranças comunitárias no Rio de Janeiro. A ação visa fortalecer as comunidades a partir dos desafios vivenciados nos territórios para aumentar o acesso da população negra à atenção primária.
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Segundo Nathália Ribeiro, especialista em Política e Gestão de Saúde Social — líder do projeto —, essa mobilização busca combater desigualdades estruturais que afetam desproporcionalmente mulheres negras na saúde pública brasileira. O trabalho se desenvolve por meio de duas frentes principais: formação contínua das líderes locais sobre determinantes sociais e direitos; além da incidência política direta junto aos órgãos sanitários visando garantir exames preventivos e vacinação adequadas.
Estratégia Dupla para o Direito à Vida
As participantes não apenas recebem informações, mas também incentivam umas às outras a comparecer nas unidades básicas de saúde (UBS) com foco em cobrar seus direitos como forma geral de melhorar os serviços prestados na população do Rio. Essa dinâmica cria uma espécie de vigilância popular no âmbito local que tem gerado resultados concretos: desde conseguir acesso à vacina HPV — antes indisponível numa unidade —, até garantir maior participação das mulheres negras nos conselhos gestores.
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Mobilização Comunitária em Busca do Sistema Ideal
Para assegurar esse direito integral à saúde, as estratégias utilizadas vão além dos encontros formais: há um foco intenso na formação das munícipes sobre seus direitos no SUS. Segundo Ribeiro, elas aprendem a entender como funciona essa porta de entrada da atenção primária.
O projeto também trabalha pela cobrança ativa por mudanças sistêmicas dentro do próprio Sistema Único de Saúde (SUS). A especialista aponta que é fundamental ir para além apenas citar exemplos pontuais; o olhar deve ser direcionado ao cuidado completo e integrado com outras demandas vitais — seja em relação aos exames coletados ou cuidados necessários durante gestações.
Racismo Estrutural: Desafio nos Dados Clínicos
Os desafios enfrentados são complexos, envolvendo barreiras significativas na implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra no Rio. Um dos maiores problemas apontados por Ribeiro está relacionado à fragilidade das informações registradas.
Ela explica que os prontuários eletrônicos frequentemente apresentam falhas graves; muitas vezes a raça não é declarada corretamente pelos profissionais — um mecanismo do racismo —, ou o dado depende apenas da autodeclaração sem questionamento adequado.
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Além disso, há questões sociais e estruturas históricas em jogo: as mulheres negras continuam sendo quem mais sofre com desfechos indesejáveis nos indicadores como mortalidade materna estadual — especialmente na capital carioca. A mobilização se torna vital para garantir respeito aos territórios marginalizados.
Em alguns casos de quilombos no estado, por exemplo, os moradores precisam cobrar que unidades básicas cheguem até eles; assim ocorre a defesa constitucional pelo direito à saúde.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



