Mulheres em conselhos: por quê poucas decisões?

Mulheres ocupam cadeiras no poder, mas poucas decisões são efetivamente tomadas pelas mulheres.

Capital de risco segue ignorando mulheres

Apesar do avanço visível da participação feminina nos conselhos de administração brasileiros — com dados apontando que 70% das companhias listadas na B já contam ao menos uma mulher no colegiado —, a análise revela um paradoxo preocupante sobre quem realmente toma as decisões nas grandes empresas.

Embora os números mostrem avanços em termos de representatividade, o poder decisório ainda é majoritariamente masculino.

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O Brasil Board Index 2025, realizado pela consultoria Spencer Stuart e baseado em mais de duas décadas de pesquisa, aponta para apenas 18,7%mulheres ocupando posições de conselho no país; esse índice está praticamente estagnado se comparado aos 18,4% registrados no ano anterior do levantamento.

O desafio da participação feminina nos colegiados

Os dados estatutários apresentam uma história diferente: a B registra que nas diretorias das companhias listadas há pelo menos uma mulher executiva por entre cinco empresas.

Contudo, o problema surge quando os analistas passam a contar não só quantas empresas têm representatividade em suas salas e diretivas, mas sim quantos assentos são efetivamente ocupados pelas mulheres na prática corporativa brasileira.

A realidade é de métricas distintas contando narrativas diferentes sobre diversidade no topo dos negócios nacionais; enquanto um levantamento mede se existe alguma presença feminina ali, outro quantifica as cadeiras reais disponíveis para elas ou seus impactos decisórios nos processos da companhia.

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O funil que diminui com mais senioridade. Essa tendência preocupante do declínio percentual feminino conforme o cargo avança foi acompanhada por outros estudos.

O Panorama Mulheres 2025, feito pelo Instituto Talenses Group em parceria com Insper e analisando 310 empresas, registrou mulheres ocupando uma boa fatia das diretorias (em torno de 30%), marcando recorde na série histórica estudada pela consultoria.

Contudo, esse número cai drasticamente à medida que a hierarquia se eleva: nas vice presidências há apenas 20% feminina; nos cargos de presidência caem para 17%; até mesmo no conselho de administração registra essa mesma marca dos 17%.

Esse padrão é o inverso do discurso corporativo usualmente divulgado sobre como aumenta naturalmente um índice de diversidade conforme os profissionais sobem em patamares mais altos da carreira empresarial.

O movimento também foi observado globalmente pelo relatório Women on Boards and Beyond 202 (MSCIA preparação técnica necessária antes das nomeações

Em outras palavras, a análise mostra que quanto maior for o nível hierárquico ou decisório dentro de uma empresa — seja ela brasileira ou multinacional —, menor tende a ser ainda a participação feminina nos cargos chave.

Para transformar essa presença física no poder real e na capacidade efetiva de decisão é preciso um foco estratégico nas etapas anteriores à própria cadeira do conselho. Não basta apenas abrir portas; deve haver também formação específica para as mulheres executivas em áreas como governança corporativa avançada, gestão complexa de riscos e análises estratégicas detalhadas sobre performance empresarial.

Esse gargalo exige programas robustos voltados justamente nesse preparo técnico que antecede o momento da nomeação formal ao board. Neste sentido entra ação o ABP W (Advanced Boardroom Program for Women), iniciativa desenvolvida pela Escola de Negócios Saint Paul.

O programa visa capacitar diretoras C level ou herdeiras com experiência gerencial prévia — mas sem a formatação técnica necessária —, oferecendo um currículo completo estruturado para atuar no ambiente do conselho em questões como simulações reais, análise estratégica avançada e gestão complexa dos riscos corporativos.