Mulheres em conselhos: por quê poucas decisões?

Mulheres ocupam cadeiras no poder, mas poucas decisões são efetivamente tomadas pelas mulheres.

26/08/2026 18:03

3 min

Capital de risco segue ignorando mulheres
Capital de risco segue ignorando mulheres

Apesar do avanço visível da participação feminina nos conselhos de administração brasileiros — com dados apontando que 70% das companhias listadas na B já contam ao menos uma mulher no colegiado —, a análise revela um paradoxo preocupante sobre quem realmente toma as decisões nas grandes empresas.

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Embora os números mostrem avanços em termos de representatividade, o poder decisório ainda é majoritariamente masculino.

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O Brasil Board Index 2025, realizado pela consultoria Spencer Stuart e baseado em mais de duas décadas de pesquisa, aponta para apenas 18,7%mulheres ocupando posições de conselho no país; esse índice está praticamente estagnado se comparado aos 18,4% registrados no ano anterior do levantamento.

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O desafio da participação feminina nos colegiados

Os dados estatutários apresentam uma história diferente: a B registra que nas diretorias das companhias listadas há pelo menos uma mulher executiva por entre cinco empresas.

Contudo, o problema surge quando os analistas passam a contar não só quantas empresas têm representatividade em suas salas e diretivas, mas sim quantos assentos são efetivamente ocupados pelas mulheres na prática corporativa brasileira.

A realidade é de métricas distintas contando narrativas diferentes sobre diversidade no topo dos negócios nacionais; enquanto um levantamento mede se existe alguma presença feminina ali, outro quantifica as cadeiras reais disponíveis para elas ou seus impactos decisórios nos processos da companhia.

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O funil que diminui com mais senioridade. Essa tendência preocupante do declínio percentual feminino conforme o cargo avança foi acompanhada por outros estudos.

O Panorama Mulheres 2025, feito pelo Instituto Talenses Group em parceria com Insper e analisando 310 empresas, registrou mulheres ocupando uma boa fatia das diretorias (em torno de 30%), marcando recorde na série histórica estudada pela consultoria.

Contudo, esse número cai drasticamente à medida que a hierarquia se eleva: nas vice presidências há apenas 20% feminina; nos cargos de presidência caem para 17%; até mesmo no conselho de administração registra essa mesma marca dos 17%.

Esse padrão é o inverso do discurso corporativo usualmente divulgado sobre como aumenta naturalmente um índice de diversidade conforme os profissionais sobem em patamares mais altos da carreira empresarial.

O movimento também foi observado globalmente pelo relatório Women on Boards and Beyond 202 (MSCIA preparação técnica necessária antes das nomeações

Em outras palavras, a análise mostra que quanto maior for o nível hierárquico ou decisório dentro de uma empresa — seja ela brasileira ou multinacional —, menor tende a ser ainda a participação feminina nos cargos chave.

Para transformar essa presença física no poder real e na capacidade efetiva de decisão é preciso um foco estratégico nas etapas anteriores à própria cadeira do conselho. Não basta apenas abrir portas; deve haver também formação específica para as mulheres executivas em áreas como governança corporativa avançada, gestão complexa de riscos e análises estratégicas detalhadas sobre performance empresarial.

Esse gargalo exige programas robustos voltados justamente nesse preparo técnico que antecede o momento da nomeação formal ao board. Neste sentido entra ação o ABP W (Advanced Boardroom Program for Women), iniciativa desenvolvida pela Escola de Negócios Saint Paul.

O programa visa capacitar diretoras C level ou herdeiras com experiência gerencial prévia — mas sem a formatação técnica necessária —, oferecendo um currículo completo estruturado para atuar no ambiente do conselho em questões como simulações reais, análise estratégica avançada e gestão complexa dos riscos corporativos.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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