Morre Bill Harris, ex-fuzileiro que sequestrou Patty Hearst, neta do magnata de Cidadão Kane

Bill Harris, ex-fuzileiro que sequestrou Patty Hearst, morre aos 81 anos após ataque cardíaco em São Francisco.

08/10/2026 16:53

3 min

Fotografias de Bill Harris e Patty Hearst
Fotografias de Bill Harris e Patty Hearst

Bill Harris, ex – fuzileiro naval da Guerra do Vietnã e um dos fundadores do Exército de Libertação Simbionês (SLA), morreu aos 81 anos em um hospital de São Francisco. A informação foi confirmada por sua esposa, a advogada Rebecca Young. Harris sofreu um ataque cardíaco no dia 10 de setembro, encerrando um dos capítulos mais bizarros da história criminal dos Estados Unidos.

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O nome de Harris ficou marcado para sempre pelo sequestro de Patty Hearst, neta do magnata William Randolph Hearst — o mesmo que inspirou o clássico do cinema “Cidadão Kane“. O crime, ocorrido em 1974, chocou o país e ganhou contornos de roteiro de ficção.

O rapto que parou os Estados Unidos

Em 4 de fevereiro de 1974, Harris e dois comparsas invadiram o apartamento de Patricia Hearst em Berkeley, na Califórnia. A jovem, então com 19 anos, era herdeira do império de mídia fundado pelo magnata. Ela foi colocada no porta – malas de um veículo e passou a ser tratada como prisioneira de guerra.

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O grupo exigiu que a família milionária financiasse uma distribuição massiva de alimentos para pessoas carentes como condição para a soltura. Harris declarou anos depois que a escolha da vítima foi simbólica, já que o império familiar operava, segundo ele, como um braço de propaganda governamental.

A reviravolta da herdeira

O caso tomou um rumo surreal depois que a jovem passou semanas trancada em um armário escuro na cidade de Daly City. Em gravações enviadas à imprensa, Patty Hearst surgiu armada diante da bandeira da organização rebelde. Sob o codinome “Tania”, ela renegou sua riqueza e anunciou adesão à causa revolucionária.

Pouco tempo depois, a própria herdeira participou de um assalto à mão armada ao Hibernia Bank, em São Francisco. O episódio levantou debates psicológicos profundos sobre coação, lavagem cerebral e trauma. Tornou – se o exemplo mais famoso da chamada Síndrome de Estocolmo na história moderna.

A derrocada e os anos de prisão

A caçada policial ao grupo ganhou contornos dramáticos em maio de 1974. Um tiroteio provocou um incêndio gigantesco, que culminou na morte de seis membros da organização extremista. No ano seguinte, em abril de 1975, o grupo assaltou o Crocker National Bank em Carmichael.

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Na ocasião, a cliente Myrna Opsahl, de 42 anos, foi morta por um tiro disparado por Emily Schwartz, então esposa de Harris, enquanto a herdeira aguardava no veículo de fuga.

O FBI capturou os remanescentes em setembro de 1975. Enquanto Patty Hearst cumpriu pena curta, teve a condenação comutada por Jimmy Carter em 1979 e recebeu perdão de Bill Clinton, o casal Harris cumpriu cerca de oito anos de prisão pelo sequestro.

Eles se divorciaram no início dos anos 1980.

Investigação, novo julgamento e acerto de contas

Depois de sair da prisão, Harris refez a vida profissional atuando como investigador particular. Em 1988, casou – se com a advogada Rebecca Young. Mas o passado voltou à tona mais de duas décadas após o assalto mortal ao banco.

Harris e sua ex – esposa Emily foram formalmente acusados pelo assassinato de Myrna Opsahl. Em 2002, ambos assinaram um acordo declarando – se culpados de homicídio em segundo grau. Durante o julgamento em 2003, Harris pediu desculpas publicamente à família da vítima.

Recebeu pena de sete anos e cumpriu cerca de quatro anos de reclusão até ser libertado.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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