Morre aos 80 anos Waldirene Nogueira, pioneira da cirurgia de redesignação sexual no Brasil

Operada em 1971, ela foi pivô de um processo contra o médico Roberto Farina, absolvido em 1979.

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Foto: Reprodução

Morre Waldirene Nogueira, pioneira da cirurgia de redesignação sexual no Brasil

Waldirene Nogueira, a primeira pessoa a passar por uma cirurgia de redesignação sexual no Brasil, morreu aos 80 anos na terça-feira (19), em Ubatuba, no litoral paulista. O procedimento, realizado em 1971, ocorreu durante o regime militar e trouxe notoriedade à sua história.

De acordo com a funerária responsável, o velório será realizado a partir das 8h no Memorial Santa Izabel, em Lins, interior de São Paulo, e o sepultamento ocorrerá às 17h no Cemitério da Saudade da cidade. A causa da morte não foi divulgada.

Quem foi Waldirene Nogueira?

Nascida em 1945 em Lins, no interior de São Paulo, Waldirene passou pela cirurgia, feita pelo médico Roberto Farina, aos 26 anos. Seu caso ganhou ainda mais visibilidade após ser denunciado pelo Procurador de Justiça de São Paulo, Luiz de Mello Kujawski.

A denúncia surgiu após uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, que cobriu um congresso de urologia onde Farina apresentou o estudo de caso de Waldirene.

Na denúncia, Kujawski alegou que a cirurgia era uma “mutilação genital”, o que resultou em uma investigação e um processo judicial contra o médico em 1976. Em fevereiro daquele ano, Waldirene foi convocada para uma avaliação no Instituto Médico Legal (IML), onde passou por diversos exames para verificar sua condição física.

Apesar do laudo indicar características femininas e masculinas, o promotor Messias Piva apresentou uma nova denúncia, afirmando que o médico havia cometido “uso de violência”. O caso foi tratado como crime de lesão corporal de natureza gravíssima.

Farina foi condenado em primeira instância, mas acabou absolvido em 1979, com base em literatura médico-científica que reconhecia a existência de corpos trans, o que contribuiu para a compreensão sobre a transição de gênero.

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Legado de Waldirene

Waldirene Nogueira se tornou um símbolo de resistência e luta para as pessoas trans que enfrentam violência diariamente. O Núcleo de Estudos, Pesquisa, Extensão e Assistência à Pessoa Trans Professor Roberto Farina, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), prestou homenagem a Waldirene, reconhecendo sua coragem ao enfrentar o aparato estatal ao longo de sua vida. “O Núcleo TransUnifesp agradece a dignidade com que Waldirene segurou sua bandeira por décadas”, afirmou a nota de pesar divulgada.

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