Moderna e Merck: vacina de RNA com Keytruda corta em 42% risco de morte ou volta do melanoma

Ensaio de fase 3 com mais de 1.100 pacientes mostrou 82,2% livres do câncer após dois anos, contra 70% só com Keytruda.

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Pessoas posam com uma seringa com agulha em frente ao logotipo da Moderna exibido nesta ilustração tirada em 11 de dezembro de 2021. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo

A Moderna e a Merck anunciaram na quinta-feira (22) que a vacina contra o câncer baseada em RNA mensageiro, aplicada junto com o imunoterápico Keytruda, reduziu em 42% o risco de morte ou recorrência de melanoma em um grande ensaio clínico. O resultado pode abrir caminho para uma nova era de tratamento personalizado.

Mesmo assim, o mercado reagiu mal. As ações da Moderna, que quase quadruplicaram desde agosto até o fechamento de quarta-feira (21), encerraram o pregão de quinta-feira em queda de mais de 17%, depois que os resultados vazaram mais cedo em um site especializado em oncologia. Os papéis da Merck fecharam em baixa de cerca de 1,8%.

82,2% dos pacientes seguiam livres do câncer após dois anos

O ensaio de fase 3 envolveu mais de 1.100 pacientes. Além de reduzir o risco de morte ou recorrência, a combinação diminuiu em 38% o risco de disseminação do câncer.

Entre quem recebeu a vacina com o Keytruda, 82,2% continuavam livres do câncer após dois anos. No grupo tratado apenas com o Keytruda, o índice foi de 70%. “Isso é altamente significativo do ponto de vista estatístico. Não aconteceu por acaso”, disse o médico Hussein Tawbi, especialista em melanoma e investigador do estudo no Centro de Câncer MD Anderson da Universidade do Texas.

Os pacientes receberam nove doses da vacina, a partir de 13 semanas após a cirurgia para retirar as lesões de melanoma. A resposta foi comparada à de quem recebeu só o Keytruda, terapia padrão para a doença. Os dados, referentes aos dois primeiros anos após o tratamento, serão apresentados no sábado, na reunião da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, em Madri.

Como a vacina intismeran age junto com o Keytruda

São os primeiros dados a mostrar que unir uma vacina baseada nas mutações exclusivas do tumor de cada paciente a um remédio que fortalece o sistema imunológico pode manter a doença sob controle. A vacina se chama intismeran autogene.

O Keytruda, um dos medicamentos mais vendidos do mundo, remove um bloqueio natural que as células cancerígenas usam para se esconder do sistema imunológico. Já a vacina orienta as células do paciente a produzir cópias de mutações específicas, para que as defesas do corpo consigam identificá-las e destruí-las.

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Para o CEO da Moderna, Stephane Bancel, os resultados marcam um novo capítulo no tratamento do câncer. “Com essa capacidade de criar novas células T específicas para o seu tumor […], o impacto clínico é muito profundo e, como vimos no ensaio de fase 2, muito duradouro”, afirmou em entrevista.

Analistas esperavam resultado melhor

Antes da divulgação, analistas de Wall Street disseram que os investidores contavam com uma redução de 40% ou mais no risco de recorrência. Alguns avaliaram que os dados podem gerar dúvidas sobre até que ponto a tecnologia poderá ser usada em outros tipos de câncer.

“Vemos o otimismo diminuir em relação ao potencial de franquias multibilionárias do intismeran na área de oncologia”, escreveu Trung Huynh, analista do RBC. “Esses dados nos deixam menos otimistas, já que o melanoma deveria representar o melhor cenário possível.”

Empresas planejam lançamento em 2027

Segundo Bancel, as empresas se preparam para pedir aprovação nos Estados Unidos e esperam lançar a vacina em 2027. A combinação já está em teste para outros tumores, incluindo os de rim, bexiga e pulmão.

O executivo disse acreditar que a vacina deve ampliar a eficácia “em todos os casos em que o Keytruda funciona”, aprovado para 19 tipos de câncer, mas ainda é preciso medir quanto ela melhorará os resultados. Ele também afirmou que o intismeran pode funcionar sozinho no tratamento de cânceres em estágio inicial.

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