Ministro da China defende abertura recíproca do mercado automotivo com UE

Wang Wentao pede à UE que evite protecionismo e negocie solução para impasse dos veículos elétricos.

Ministro do Comércio da China, Wang Wentao, durante entrevista coletiva em Pequim

O ministro do Comércio da China, Wang Wentao, pediu nesta terça – feira (22) que a União Europeia mantenha as portas abertas para o setor automotivo chinês, em meio a um cenário de tensões comerciais entre os dois blocos. Em conversas separadas com representantes das indústrias europeia e alemã, ele defendeu a abertura recíproca dos mercados e a busca por uma saída negociada para os impasses.

Wentao se reuniu por videoconferência com Ola Kallenius, presidente da ACEA (Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis) e CEO da Mercedes – Benz. Na ocasião, o ministro chinês afirmou que China e UE devem preservar a cooperação e manter seus mercados abertos.

Segundo ele, Pequim está disposta a encontrar uma solução que respeite as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio), as leis domésticas de cada país e os interesses das empresas envolvidas.

China rejeita acusações e pede fim do protecionismo

Em outro encontro, desta vez com Hildegard Muller, presidente da VDA (Associação Alemã da Indústria Automotiva), o ministro foi direto: a China “não é a origem dos problemas econômicos e comerciais” enfrentados pela UE. Pelo contrário, disse ele, o país asiático se coloca como uma parceira disposta a ajudar a resolver essas questões.

Wentao também afirmou que Pequim não quer ver o bloco europeu “optar por protecionismo”, seja restringindo ou fechando seus mercados. A declaração ocorre em um momento em que a UE avalia medidas para conter a entrada de veículos elétricos chineses, que cresceram rapidamente no mercado europeu nos últimos anos.

O ministro ainda deixou claro que a China apoia os investimentos de montadoras chinesas na Europa. Ao mesmo tempo, espera que Alemanha e UE garantam um ambiente de negócios “justo, aberto e não discriminatório” para essas empresas. Em contrapartida, ele convidou as montadoras europeias a ampliarem seus investimentos no mercado chinês.

Indústria europeia defende diálogo e livre comércio

Do lado europeu, as reações foram alinhadas com o discurso de Wentao. Kallenius, da ACEA, disse que a associação apoia o livre comércio e a manutenção de mercados abertos. Já Muller, da VDA, afirmou que a entidade defende que o mercado automotivo europeu continue aberto e que haja mais diálogo para evitar uma escalada das tensões comerciais.

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As declarações reforçam o tom de cautela adotado por Pequim, que tenta evitar que as divergências comerciais se transformem em uma guerra de tarifas com a Europa. A China tem sido alvo de investigações da UE sobre subsídios a veículos elétricos, o que pode levar à imposição de tarifas adicionais sobre os carros chineses importados.