Migrantes chegam a Ceuta; Espanha busca solução para crise em Marrocos

Espanha intensifica esforços para conter crise migratória em Ceuta após chegada maciça de milhares de imigrantes.

3 min

JORGE GUERRERO / AFP
JORGE GUERRERO / AFP

A chegada massiva de cerca de 60 mil migrantes vindos de Marrocos ao enclave espanhol de Ceuta desencadrou uma grave crise migratória para os serviços governamentais da Espanha.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo Juan Jesús Vivas, presidente autônomo de ceutanosas, esse é um número que representa grande parte dos habitantes desse pequeno território; ele ainda reportou a morte de mais 34 pessoas em decorrência dessa “avalanche humana”.

O volume das chegadas à fronteira

As estimativas apontam o fluxo intenso e rápido. O jornalista Ignacio Cembrero, especialista na política do Magrebe, relatou fontes ligadas ao topo da Guarda Civil sobre como as entradas ocorreram:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Na quinta-feira”, dizia cembrero, era possível observar cerca de 200 pessoas cruzando por minuto.

Movimentação dos migrantes após chegarem a Ceuta

Apesar do grande número que chegou em um curto espaço de tempo, houve uma movimentação significativa para fora: até o final desta sexta-feira (data não especificada), estima-se que a grande maioria (cerca de 48 mil) já tivesse retornado ao Marrocos.

Esse número de chegadas é muito superior ao registrado em maio de 2021:

Em maio de 2021, apenas uns 12 mil passageiros haviam chegado à cidade por dois dias.

Leia também

Debate sobre as causas da crise migratória e política espanhola

O debate se concentra nas razões do fluxo intenso em Ceuta. Um dos pontos levantados pelos especialistas consultados pela AFP envolve a decisão recente tomada pelo Supremo Tribunal Espanhol (STES) em 8 de julho: o entendimento segundo o qual os procedimentos chamados “devoluções imediatas” não seriam aplicáveis aos casos onde migrantes cruzam via marítima irregularmente na fronteira.

Pedro Sánchez, presidente do governo espanhol, falou em “violação e ataque à integridade territorial”; afirmou também que as máfias que traficam seres humanos fizeram uma interpretação interessada da sentença judicial sobre as devoluções expressas.

O papel marroquino no fluxo migratório. As forças armadas marchroquinas também foram questionadas quanto ao seu envolvimento. Cembrero afirmou categoricamente: desde quarta-feira (data), os militares de segurança em Marrocos “estão com braços cruzados”.

“Para chegar até o quebra-mar fronteiriço entre Ceuta e Marroco há barreiras policiais, mas é evidente que elas deixaram passar”, concluiu ele; pois caso contrário a situação não teria acontecido na prática.

Repercussões diplomáticas da crise

A tensão gerada pela migração teve um impacto imediato no cenário europeu. A Itália anunciou suspender temporariamente parte do acordo sobre livre circulação — conhecido como Tratado Schengen —, uma decisão apoiada por países nórdicos como Finlândia e Dinamarca.

Em resposta à crise, o presidente francês Emmanuel Macron manifestou sua “solidariedade” com os esforços espanhóis ao lado do Reino Unido. No entanto, pouco tempo depois, a França comunicou que quintuplicaria, no sábado, o número de policiais e gendarmes na fronteira franco-espanhola, chegando a 334 agentes; enquanto Portugal anunciou o reforço dos controles nas fronteiras terrestres e marítimas do sul.

O futuro das cidades autônomas

A crise migratória é vista por alguns analistas como uma possível arma diplomática utilizada pelo Marrocos.

“As autoridades marroquinas viram essa oportunidade de forçar Madrid e o governo da Espanha em geral a negociar sobre os futuros desses dois territórios”, segundo Cembrero. Diante dessa reivindicação territorial que muitos consideraram inaceitável, Carlos Echeverría defende buscar medidas mais amplas junto à União Europeia (UE), da qual a Espanha faz parte como Estado-membro: “É preciso conseguir retaliações”.

O debate persiste

Enquanto especialistas debatem se há um incentivo por parte do próprio gobierno socialista espanhol para regularizar migrantes ou uma mudança política futura menos acolhedora; é claro apenas que as tensões políticas e migratórias continuam a moldar o cenário entre Espanha e Marrocos.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!