Midterms de 3 de novembro: Trump vira o centro da campanha republicana, mesmo sem nome na cédula
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu a apoiadores republicanos, em um comício em Myrtle Beach, na Carolina do Sul, que fingissem que o nome dele estava na cédula. Nenhuma disputa das eleições de meio de mandato, marcadas para a terça-feira, 3, traz o nome do presidente, mas a campanha foi organizada em torno da figura dele.
Na prática, a estratégia pode sair cara para o partido. Analistas veem o pleito como um teste da popularidade do governo, e não apenas de candidatos individuais.
Como funcionam as eleições de meio de mandato
As midterms acontecem no meio do mandato presidencial e definem quem controla o Senado e a Câmara dos Deputados. Elas seguem duas lógicas diferentes. De um lado, funcionam como um referendo sobre o partido no poder, já que o eleitor pune ou recompensa a legenda, independentemente de quem esteja na disputa.
De outro lado, candidatos individuais conseguem se proteger desse efeito, sobretudo na corrida por cadeiras na Câmara. Eles costumam montar campanhas voltadas a problemas locais e tentam se afastar de temas nacionais.
Para Habib Badawi, professor de Relações Internacionais da Universidade Libanesa, a queda de popularidade de um presidente costuma arrastar os candidatos do próprio partido. “A queda na popularidade de George W. Bush afetou negativamente os candidatos republicanos em 2006, assim como a de Barack Obama afetou os democratas em 2010, em ambos os casos esmagando campanhas locais que tinham credibilidade. A decisão de Trump de se tornar o ponto central das eleições de 2026 reduz a distância entre a liderança presidencial e o espaço que os candidatos teriam para manobrar suas campanhas”, afirma.
Trump assume o protagonismo e a conta cai nos republicanos
O cenário fica mais difícil com os altos custos de energia, provocados por uma guerra no Oriente Médio iniciada pelo governo Trump e que não tem fim previsto. Os preços elevados dos alimentos e as incertezas causadas por um tarifaço mal calculado pela Casa Branca também pesam.
Nesse contexto, os republicanos têm pouco espaço para se afastar da responsabilidade. Como Trump assumiu essas decisões de forma explícita, fica difícil culpar administrações anteriores. Ao mesmo tempo, distanciar-se de um presidente impopular que cobra lealdade não é simples.
Badawi resume o peso da experiência do eleitor. “Nas eleições de meio de mandato, os eleitores recompensam ou punem os governantes principalmente pelo desempenho econômico passado, e não por promessas futuras, e quando a retórica e a experiência cotidiana divergem tanto, a experiência geralmente prevalece”, diz.
A deputada Ashley Hinson, candidata republicana ao Senado pelo Iowa, tenta equilibrar lealdade e independência. Durante um debate, ela afirmou que seria aliada de Trump “quando isso for importante para o Iowa”, mas que também o confrontaria.
Hinson também citou prioridades próprias. “Reduzir os preços dos combustíveis de forma geral continua sendo uma prioridade para mim”, disse ela, antes de acrescentar que “fico um pouco nervosa sempre que falamos em aliviar as sanções contra a Rússia”.
Histórico e pesquisas apontam vantagem para os democratas
Analistas não partidários do Cook Political Report já tratam os democratas como favoritos para retomar a Câmara. O controle do Senado também aparece como uma disputa possível.
O histórico reforça essa leitura. Desde 1946, ocorreram 20 eleições de meio de mandato, e em 18 delas o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara dos Representantes. Isso equivale a 90% das eleições de meio de mandato nos últimos 80 anos.
Pelo padrão, os republicanos têm poucas chances de manter a pequena maioria na Câmara em 2026.
A popularidade do presidente agrava o quadro. Quando a aprovação do presidente em exercício fica abaixo de 50% nas pesquisas, a chance de um resultado ruim nas eleições de meio de mandato aumenta muito. Segundo a pesquisa Reuters Ipsos, a aprovação de Trump está em 32%, perto de sua mínima histórica, de 31%.
Desde Harry S. Truman, todos os presidentes com aprovação abaixo de 50% no mês anterior a uma eleição de meio de mandato perderam cadeiras na Câmara. Robert A. Strong, professor de Ciências Políticas da Universidade da Virginia, lembra que houve apenas dois casos de vitória do partido do presidente nesse tipo de eleição nos últimos 80 anos. “Ambos envolveram circunstâncias especiais”, explica.
O primeiro caso foi em 1998, quando o democrata Bill Clinton estava no sexto ano de mandato, com bons números de crescimento econômico, queda nas taxas de juros e baixo desemprego. Segundo o Gallup, sua taxa média de aprovação no segundo mandato foi de 60,6%, a maior média de um presidente nesse período desde Truman até Biden, e ele ganhou cinco cadeiras a mais na Câmara.
O segundo foi o republicano George W. Bush, em 2002. Eleito por margem estreita em 2000, ele viu a popularidade crescer após os ataques de 11 de setembro ao World Trade Center e ao Pentágono, e os republicanos conquistaram oito cadeiras na Câmara nas eleições de meio de mandato daquele ano.
Os últimos cinco presidentes, Clinton, Bush, Barack Obama, Trump e Joe Biden, assumiram o cargo com seus partidos no controle das duas casas do Congresso. Todos perderam a maioria partidária na Câmara ou no Senado nos dois primeiros anos de mandato.
Atualização em 01/11/2026: o texto foi corrigido.
Editoria:
Redação Internacional
A Redação Internacional reúne a cobertura do Clique Fatos sobre os principais acontecimentos fora do Brasil. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.