Mercadante diz que juro alto terá de ser enfrentado pelo próximo governo

Mercadante defende que condições políticas e econômicas atuais permitem avançar no debate sobre a redução da Selic.

23/09/2026 21:13

3 min

Presidente do BNDES, Aloizio Mercadante
Presidente do BNDES, Aloizio Mercadante

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, afirmou nesta quarta – feira (23) que o Brasil já reúne as condições necessárias para enfrentar o problema dos juros altos. Segundo ele, a questão precisará ser encarada pelo próximo governo.

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A declaração foi feita durante um evento organizado pelo Safra, em São Paulo.

Mercadante destacou que a taxa de juros elevada é um problema histórico no país. “Desde o Plano Real, tem uma questão que o Brasil não resolveu, que é a taxa de juros muito alta”, disse. Para o presidente do BNDES, esse é um dos maiores desafios nacionais e deve ocupar o centro das atenções de quem assumir o comando do país.

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O desafio dos juros para o próximo governo

Na avaliação de Mercadante, o momento atual é propício para discutir o tema com mais profundidade. “Acho que esse é um grande desafio do Brasil, que tem que estar no centro da preocupação de um próximo governo“, afirmou. Ele acrescentou que as condições políticas e econômicas foram construídas ao longo dos últimos anos para que o debate avance.

O presidente do BNDES não entrou em detalhes sobre quais medidas concretas poderiam ser adotadas, mas deixou claro que a redução da taxa básica de juros é uma prioridade. “Acho que nós construímos condições para poder enfrentar esse desafio”, completou, em referência ao trabalho já realizado pela atual gestão.

A fala de Mercadante ocorre em um momento em que o mercado financeiro e o governo federal travam embates sobre o nível da Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A taxa é a mais alta entre as principais economias do mundo e tem sido alvo de críticas recorrentes de integrantes do governo, que pressionam por cortes mais acelerados.

Contexto econômico e pressão sobre o Banco Central

O evento do Safra reuniu lideranças do setor financeiro e autoridades. Mercadante aproveitou a ocasião para reforçar a necessidade de se repensar o modelo de juros praticado no Brasil. Ele citou o Plano Real, implementado em 1994, como marco a partir do qual o país passou a conviver com taxas elevadas de forma persistente.

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Para o presidente do BNDES, a discussão não é apenas técnica, mas também política. “O Brasil precisa de um projeto de desenvolvimento que dialogue com a redução do custo do crédito. Não dá para crescer de forma sustentável com juros reais tão altos”, argumentou.

A declaração de Mercadante ecoa o discurso de outros membros do governo, que têm criticado a atuação do Banco Central. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já classificou como “inexplicável” o patamar atual da Selic e cobrou do BC uma postura mais alinhada com as metas de crescimento econômico.

Reações e expectativas do mercado

O mercado financeiro, por outro lado, defende cautela. Para analistas, a inflação ainda pressiona e a redução prematura dos juros poderia comprometer o controle dos preços. Apesar das críticas, o Banco Central mantém o discurso de que a política monetária deve ser conduzida com independência e foco no cumprimento das metas de inflação.

Mercadante, no entanto, acredita que o momento exige coragem. “Construímos as bases para enfrentar esse desafio. Agora é hora de agir”, disse, sem especificar prazos ou instrumentos. A expectativa é que o tema ganhe ainda mais relevância na campanha eleitoral de 2026, com candidatos sendo pressionados a apresentar propostas claras para o custo do crédito no país.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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