Melasma: os ativos com respaldo científico para clarear as manchas
Melasma tem tratamento com hidroquinona, ácido tranexâmico e outros ativos, mas uso deve ser orientado por dermatologista.
Manchas escuras que aparecem nas bochechas, testa, buço e queixo: esse é o retrato do melasma, uma condição crônica de pele que atinge principalmente mulheres. A combinação de sol, hormônios e predisposição genética faz com que os melanócitos – as células que produzem o pigmento – trabalhem em excesso em áreas específicas do rosto.
O resultado são manchas que escurecem ainda mais com a exposição solar. Para quem busca clareá – las, as prateleiras das farmácias estão cheias de produtos com rótulo de “clareador”. Mas, por trás das promessas, há um grupo restrito de ativos com respaldo científico sólido no tratamento do melasma.
Entre eles, a hidroquinona ainda é a referência. Ela age diretamente na produção de melanina e, segundo a dermatologista Patrícia Dalboni, “continua sendo o ativo mais estudado e o que clareia com mais rapidez”. No entanto, o uso precisa ser orientado por um médico, já que pode causar irritação e efeitos colaterais como a leucodermia em confete – pequenas manchas brancas que podem se tornar permanentes – ou até pigmentação acinzentada na pele.
Por isso, a concentração e o tempo de tratamento devem ser definidos por um dermatologista.
Alternativas e combinações de ativos
O ácido tranexâmico tem ganhado espaço como alternativa, atuando na redução do processo inflamatório que estimula a melanina. A niacinamida, forma estável da vitamina B 3, também é uma opção. Além de um efeito clareador mais suave, ela fortalece a barreira da pele e reduz a inflamação, sendo bem tolerada até para uso contínuo. “Também temos boas evidências para o ácido azelaico, os retinoides, a cisteamina e ativos mais recentes, como o thiamidol”, lista o dermatologista Flégon David.
Outras substâncias, como ácido kójico, glicólico e vitamina C, podem ser úteis principalmente em associações.
Em muitos casos, o especialista combina diferentes ativos para melhorar os resultados. A escolha leva em conta a intensidade das manchas, o tipo de pele, o histórico de tratamentos e a presença de outras condições, como acne ou rosácea. “A associação clássica com maior respaldo científico reúne hidroquinona, um retinoide e um corticoide de baixa potência”, explica David.
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O retinoide melhora a renovação celular e potencializa a hidroquinona, enquanto o corticoide reduz irritação e inflamação – mas deve ser usado por período limitado e com prescrição. “Não existe uma fórmula universal. Depende da sensibilidade da pele, da profundidade do pigmento, do fototipo e de fatores hormonais e vasculares”, completa.
Cuidados essenciais e fotoproteção
Uma rotina para quem tem melasma deve priorizar limpeza suave, hidratação e, acima de tudo, fotoproteção. Produtos com ativos clareadores ou antioxidantes podem ser incluídos conforme a necessidade. De manhã, a ordem pode ser tratamento, hidratante (se necessário) e protetor solar. À noite, outros ativos entram em cena sob orientação médica.
Os primeiros resultados costumam aparecer entre quatro e oito semanas, segundo David, e uma melhora mais significativa exige de dois a três meses. Esse tempo varia com a intensidade do melasma, a regularidade do tratamento e o controle da exposição à luz.
Mesmo depois que as manchas desaparecem, o melasma exige cuidados contínuos. Como é uma condição crônica, ele pode voltar. Nenhum ativo funciona sozinho sem uma fotoproteção rigorosa. A radiação ultravioleta e a luz visível – emitida por telas e lâmpadas – estimulam as manchas, então o protetor solar deve ser usado todos os dias, inclusive em dias nublados. “Nenhum tratamento é milagroso e nenhum garante a melhora total”, alerta Dalboni. “A maioria dos pacientes fica muito satisfeita, mas ninguém pode afirmar que o melasma será eliminado.
A mancha pode sumir 100%, mas se a pessoa abusar do sol e parar o protetor, ela volta.”