Mauro Vieira defende resistência à reclassificação do crime organizado na OEA em 23 de março

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enfatizou a importância de resistir à reclassificação do crime organizado durante sua fala na Assembleia-Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos) nesta terça-feira, 23. Ele destacou que rotular esses crimes de maneiras que confundem diferentes fenômenos pode prejudicar a luta contra estruturas criminosas e defendeu uma maior cooperação entre os países para enfrentar esse problema global.
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Papel da Cooperação Internacional
Durante seu discurso, Vieira sublinhou a necessidade de melhorar a coordenação e o diálogo constante entre as polícias e serviços de inteligência dos países membros. “A assistência jurídica mútua é fundamental para enfrentarmos essas organizações que buscam dominar territórios e mercados ilícitos”, afirmou o chanceler.
Ele alertou que o crime organizado se tornou uma questão crítica nas Américas, não respeitando fronteiras e exigindo uma resposta coletiva dos estados.
O ministro ressaltou que qualquer esforço isolado por um país terá eficácia limitada sem a colaboração entre todos os Estados membros da OEA. “Devemos evitar a tentação de aplicar rótulos que possam confundir fenômenos de naturezas diferentes”, disse Vieirante.
Essa perspectiva é essencial para garantir uma abordagem adequada ao desafio que o crime organizado representa.
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Classificação dos EUA e suas Implicações
A partir de 5 de junho, os Estados Unidos passaram a classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). Essa designação foi uma extensão do anúncio feito pelo Departamento de Estado americano em 28 de maio, quando as facções foram inicialmente categorizadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGT), status que já estava em vigor.
A decisão do governo americano, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, apontou que tanto o CV quanto o PCC estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, com operações que transcendem as fronteiras nacionais. A medida visa interromper o fluxo financeiro que sustenta esses grupos considerados “narcoterroristas violentos”.
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Com essa classificação, o congelamento de ativos e restrições em transações financeiras com esses grupos foram estabelecidos, além da proibição de entrada nos EUA para seus integrantes.
É importante destacar que essa classificação não altera diretamente a legislação brasileira. As designações unilaterais dos Estados Unidos não têm efeitos automáticos no sistema jurídico do Brasil; sua aplicação requer uma incorporação formal por meio de lei ou tratado ratificado, algo que ainda não está em discussão no país.
Com essa nova categorização, PCC e CV se juntam a uma lista extensa de mais de 90 organizações reconhecidas como terroristas pelos EUA, incluindo grupos como Hamas, Hezbollah e Al Qaeda, refletindo a pressão contínua do governo Trump contra o narcotráfico na América Latina.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



