Masoud Pezeshkian denuncia bloqueio naval dos EUA como operação militar contra o Irã

Presidente iraniano critica bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez uma denúncia nesta quinta-feira (30) sobre o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. Ele afirmou que essa ação se configura como uma operação militar contínua contra o Irã. Em uma postagem em inglês na rede social X, Pezeshkian declarou que “o que está sendo realizado sob a justificativa de um bloqueio naval é uma extensão das operações militares contra uma nação que arca com as consequências de sua resistência e busca por independência”.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ele ainda acrescentou que “a continuidade dessa abordagem opressiva é inaceitável”.
As declarações de Pezeshkian ocorreram logo após o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmar que o governo Trump não necessita de autorização do Congresso para declarar guerra ao Irã, mencionando o cessar-fogo que entrou em vigor em 8 de abril.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ameaças e reações do Irã
De acordo com a mídia estatal, Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, comentou que o Irã está preparado para responder. “Se o bloqueio persistir, o Irã tomará medidas”, afirmou Rezaei em uma entrevista televisionada, conforme reportado pela emissora estatal IRIB.
Ele destacou que “esse bloqueio não teve praticamente nenhum efeito e não conseguiram implementá-lo. O Oceano Índico é vasto e podemos atravessá-lo com facilidade; já fizemos isso antes”.
Leia também
Esses comentários surgem em um contexto em que o presidente dos EUA, Donald Trump, está considerando a continuidade do bloqueio naval aos portos iranianos. Fontes próximas às negociações relataram que a equipe da Casa Branca começou a preparar o terreno para uma extensão desse bloqueio, incluindo a possibilidade de um fechamento prolongado.
Trump, por sua vez, está focado em uma estratégia que visa causar o máximo de dano econômico ao Irã, na expectativa de que isso leve Teerã a voltar à mesa de negociações sem a necessidade de retomar os ataques militares.
Impactos econômicos e estratégias de Trump
Entretanto, essa estratégia de lidar com um conflito que já dura nove semanas apresenta riscos para Trump, que havia previsto que a guerra duraria no máximo seis semanas. O conflito já elevou os preços da gasolina, contribuindo para o descontentamento dos americanos com a guerra e levando os índices de aprovação de Trump a níveis baixos, especialmente em relação à sua gestão econômica.
Um alto funcionário do Pentágono informou que os EUA já gastaram US$ 25 bilhões na guerra contra o Irã, o que aumenta a preocupação do Partido Republicano com as eleições legislativas de novembro.
Embora Trump tenha demonstrado determinação em intensificar o controle sobre a economia iraniana até que Teerã ceda às suas exigências sobre o enriquecimento nuclear, a eficácia dessa abordagem ainda é incerta. O Irã já provou sua capacidade de resistir a dificuldades econômicas sem ceder às pressões americanas.
Trump, em uma entrevista, comentou que “o bloqueio é mais eficaz do que os bombardeios. Eles estão sendo sufocados”.
Reuniões e negociações em andamento
Recentemente, Trump se reuniu com executivos do setor energético para discutir como manter o bloqueio por meses, se necessário, e como minimizar os impactos sobre os consumidores americanos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, organizou a reunião, que contou com a presença de importantes figuras do governo e do setor privado.
Apesar de o Pentágono estar se preparando para a possibilidade de retomar os bombardeios, Trump indicou que prefere buscar um acordo com o Irã e evitar novos ataques.
As negociações para resolver o conflito, no entanto, estão estagnadas. Trump sinalizou que pode não aceitar a última proposta do Irã, que sugere reabrir o estreito, mas deixar as questões nucleares para negociações futuras. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a nova proposta iraniana é “melhor do que esperávamos”, mas ressaltou que um acordo deve impedir que o Irã obtenha armas nucleares.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



