Importadora de Israel recusa grãos ucranianos roubados e gera crise diplomática

Importadora israelense recusa carga de grãos ucranianos supostamente roubados, intensificando a disputa diplomática entre Israel e Ucrânia. Entenda os detalhes!

30/04/2026 22:11

3 min

Importadora de Israel recusa grãos ucranianos roubados e gera crise diplomática
(Imagem de reprodução da internet).

Importadora israelense rejeita carga de grãos ucranianos roubados

Uma importadora de grãos de Israel anunciou que não aceitará a carga de um navio que supostamente transporta grãos ucranianos roubados. Essa embarcação se tornou o centro de uma intensa disputa diplomática entre Israel e Ucrânia. A Associação Israelense de Importadores de Grãos informou que a carga, que Kiev afirma ter sido saqueada pela Rússia de áreas ocupadas da Ucrânia e que estava prevista para descarregamento no porto de Haifa, deverá ser redirecionada. “O fornecedor russo do carregamento de trigo terá que encontrar um destino alternativo para o seu descarte”, declarou a associação em um comunicado.

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Dados de rastreamento da MarineTraffic indicaram que o navio graneleiro Panormitis deixou o porto de Haifa na tarde de quarta-feira (29), mas não ficou claro para onde a embarcação estava se dirigindo. Essa decisão ocorreu após dias de aumento das tensões entre Ucrânia e Israel, especialmente após a chegada do Panormitis à Baía de Haifa no último fim de semana.

Na terça-feira (28), o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky mencionou navios anteriores com grãos supostamente roubados e alertou sobre possíveis sanções contra os envolvidos, caso a situação persistisse.

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Reações e alegações

O Ministério das Relações Exteriores de Israel respondeu, afirmando que a Ucrânia havia atrasado o envio da documentação e das provas formais, e posteriormente acrescentou que o pedido estava sendo analisado. Um porta-voz da associação de importadores de grãos informou à CNN que a empresa Zenziper, responsável pela importação, não tinha conhecimento de irregularidades relacionadas ao carregamento e soube das alegações por meio da mídia. “A empresa buscou orientação do governo, mas, sem uma diretriz clara, decidiu rejeitar a remessa por conta própria, apesar do risco de ação judicial por parte do fornecedor”, explicou o porta-voz.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, elogiou a decisão, considerando-a um desenvolvimento positivo e um aviso claro para outras empresas de transporte marítimo e governos se afastarem do grão ucraniano roubado. O Ministério das Relações Exteriores de Israel, por sua vez, se distanciou de qualquer sugestão de que cedeu à pressão, afirmando que o pedido mais recente da Ucrânia por assistência jurídica “continha lacunas factuais significativas e não incluía provas que corroborassem [o roubo dos grãos]”.

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Contexto e implicações

Desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, há mais de quatro anos, Kiev tem acusado Moscou de saquear sistematicamente seus recursos agrícolas. Segundo o governo ucraniano, a verdadeira origem dos grãos roubados fica oculta quando são vendidos nos mercados internacionais.

Uma investigação do jornal israelense Haaretz revelou que pelo menos quatro carregamentos de grãos ilegais chegaram a Israel neste ano, com entregas ocorrendo desde 2023, totalizando mais de 30.

A União Europeia também se manifestou recentemente, solicitando informações adicionais às autoridades israelenses sobre as alegadas importações e alertando que poderá impor sanções aos envolvidos. “Condenamos todas as ações que ajudam a financiar o esforço de guerra ilegal da Rússia e a contornar as sanções da UE, e permanecemos prontos para combater tais ações, incluindo indivíduos e entidades em países terceiros, se necessário”, afirmou um porta-voz da UE à CNN.

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Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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