Mesmo com 20 anos de F1, Mariana Becker diz que precisou domar a veia de repórter na Globo
Mariana Becker, 55, viveu um ano de mudanças na carreira. Depois de cinco anos como repórter na Band, ela voltou à TV Globo para a temporada 2026, desta vez como comentarista. Em entrevista à coluna GENTE, falou sobre a reinvenção, as dificuldades e os 20 anos de carreira na cobertura da Fórmula 1.
Por email, ela não respondeu às perguntas sobre preconceito por ser mulher e sobre o início da carreira em um espaço majoritariamente masculino. Disse que precisaria de mais tempo para responder a esses temas.
Como foi a passagem de repórter para comentarista
Ela avalia o primeiro ano na Globo como um período de reinvenção. Continua apurando como antes, mas não entra mais ao vivo direto com os pilotos, embora mantenha contato com eles e com as equipes. Também tem a tarefa de apresentar a nova Fórmula 1 para o público que está chegando ao esporte.
A maior dificuldade, segundo ela, foi aprender a forma de falar e a medida certa do que dizer. Como comentarista, pode opinar, algo que não fazia como repórter, que apenas relatava os fatos. Precisou domar um pouco a veia repórter e trabalhar mais a análise e a contextualização, separando o que é informação de comentarista e o que é informação de repórter.
O que mudou em quase duas décadas de cobertura
Ao comparar 2007 e 2026, Mariana lembra que começou crua, com muito estudo e dúvidas sobre si mesma. Hoje domina melhor o assunto, conhece mais as fontes e sabe onde vale gastar energia. O que não mudou é o olhar para o significado humano do que acontece na pista, algo que ela sempre buscou fazer em todos os esportes que cobriu.
Sobre o público jovem, ela diz que se surpreende toda vez que vem ao Brasil e não imagina que influencia tanta gente. Nas sessões de autógrafos do seu livro, apareciam pais e filhas juntos, como uma menina de 13 anos e um pai de 60. Para ela, não houve troca de público, e sim a chegada de mais tipos de pessoas ao automobilismo, com renovação entre quem acompanha o esporte há mais tempo.
Perda dos pais e a despedida de Felipe Massa
Ao falar do momento mais difícil, Mariana citou a perda do pai e da mãe em um intervalo de dois anos. O pai teve Alzheimer, e a mãe, já mais velha, teve um tipo de câncer. Ela conta que sofria por estar viajando e não poder vê-la tanto quanto queria, mas conseguiu acompanhá-la bastante.
O episódio mais marcante, para ela, foi a primeira despedida de Felipe Massa. Ele bateu em Interlagos, quebrou o carro e caminhou na chuva, passando por todos os boxes. Foi aplaudido pelos mecânicos de todas as equipes, algo que ela nunca tinha visto.
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