Marcos Mendes afirma que arcabouço fiscal perdeu credibilidade e critica propostas para 2026

Mendes alerta que o arcabouço fiscal atual perdeu credibilidade, destacando a insustentabilidade dos gastos públicos e a ineficácia das propostas para 2026.

17/08/2026 23:31

2 min

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As pastas da Fazenda e do Planejamento do governo federal continuam a atribuir os juros elevados como uma das principais causas do desequilíbrio fiscal no Brasil. No entanto, para Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, essa análise é equivocada.

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Em entrevista ao CNN Money, ele afirmou que os altos juros são uma consequência do desequilíbrio fiscal e não sua causa.

Mendes destacou que os juros altos não surgem de forma arbitrária, explicando que o juro de curto prazo é afetado pela pressão do governo sobre a economia, resultante de gastos excessivos que elevam a demanda e, consequentemente, os preços. Ele mencionou o período após a aprovação do teto de gastos em dezembro de 2016, quando a taxa de juros real caiu para entre 3% e 4% devido à expectativa de um ajuste fiscal mais significativo.

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Impacto dos Gastos Públicos

Atualmente, a taxa de juros está acima de 8%, conforme ressaltou Mendes. O pesquisador também observou que as despesas do governo têm aumentado desde o início do atual mandato, com um crescimento anual de 5% acima da inflação, algo que ele classificou como insustentável.

Sobre o arcabouço fiscal vigente, Mendes foi enfático ao afirmar que perdeu completamente a credibilidade. A meta de resultado primário para este ano prevê um superávit de R 34 bilhões, enquanto o governo estimou um déficit de R 52 bilhões — uma diferença alarmante de R 86 bilhões.

Ele explicou ainda que, apesar dessa discrepância, a meta formal pode ser considerada cumprida devido às exceções previstas no arcabouço.

Perspectivas para as Próximas Eleições

Analisando as propostas dos principais partidos políticos para as próximas eleições, Mendes expressou sua preocupação quanto à eficácia delas em enfrentar o desafio fiscal. Em relação ao PT, ele criticou a proposta de reduzir o limite de crescimento das despesas de 2,5% para 1,5% acima da inflação como ineficaz, já que o governo não vem cumprindo nem mesmo o limite atual.

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Quanto à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), Mendes apontou uma grande incógnita: “Ele tem discurso sobre ajuste fiscal, mas não explica como pretende realizá – lo.” O pesquisador lembrou ainda das medidas fiscais adotadas pelo governo anterior às vésperas da eleição através da chamada PEC Kamikaze.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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