Mercado alerta para responsabilidade fiscal em meio a preocupações com contas públicas até 2026

A crescente preocupação com as contas públicas e o aumento do déficit fiscal podem impactar a economia brasileira e a confiança dos investidores até 2026.

17/08/2026 05:01

4 min

Imagem de drone mostra bandeira brasileira tremulando na Praça dos Três Poderes, em Brasília
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As contas públicas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se tornaram uma preocupação crescente, especialmente com a aproximação das eleições de 2026. Economistas ouvidos pelo CNN Money notam uma mudança na retórica governamental, mas a expansão de programas sociais e o aumento do déficit fiscal geram incertezas sobre a capacidade de manter esses compromissos após os pleitos.

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No mês de julho de 2025, o déficit fiscal foi de R 55,3 bilhões, representando um aumento em relação ao rombo de R 47,1 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado dos últimos 12 meses até junho, o setor público consolidado apresentou um déficit de R 157,2 bilhões, equivalente a 1,19% do PIB.

Para Marcela Kawauti, economista – chefe e sócia da Lifetime Investimentos, esse resultado é significativo não apenas por mostrar que o país gasta mais do que arrecada, mas também pelas implicações sobre a trajetória da dívida pública.

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Impactos econômicos da dívida pública

Atualmente, o Brasil possui uma das maiores relações entre dívida e PIB entre as principais economias globais, ficando atrás apenas da China no G 20. Kawauti afirma que essa evolução é prejudicial para a economia brasileira. “Os efeitos da dívida e do déficit fiscal vão muito além das contas do governo e podem afetar o cotidiano da população – especialmente em relação à taxa de juros”, observa.

A falta de equilíbrio orçamentário faz com que o governo precise se financiar com juros mais altos. Isso resulta em elevações na taxa Selic, que impacta diretamente o custo do capital para financiamentos. Embora tenha recuado nos últimos meses, os juros permanecem elevados devido às incertezas fiscais.

A instabilidade fiscal também pode influenciar o câmbio. Kawauti explica que incertezas nesse campo aumentam a desconfiança internacional em relação ao Brasil, levando à saída de capitais e à queda da demanda pelo real brasileiro. Isso provoca uma valorização do dólar.

Repercussão no mercado financeiro

O ambiente econômico tem refletido essas tensões. Em apenas sete pregões até 11 de agosto, houve uma saída líquida de R 11,93 bilhões do mercado acionário brasileiro, excluindo aportes em IPOs e follow – ons. O dólar também apresenta alta significativa desde segunda – feira passada, acumulando valorização de cerca de 2% na semana.

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Felipe Salto, economista – chefe da Warren Brasil e ex – secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo, alerta que uma valorização excessiva do dólar pode pressionar ainda mais a inflação. “Com o dólar caro, as importações encarecem e isso se reflete nos preços internos”, afirma Salto.

Uma inflação elevada poderia exigir uma política monetária restritiva contínua e elevar ainda mais os juros.

Desafios fiscais para o futuro

Após as eleições de 2026, o governo enfrenta desafios significativos para ajustar suas contas públicas. Paralelamente à expansão dos programas sociais como Desenrola 2.0 e Move Brasil e à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R 5 mil mensais, especialistas apontam que é necessário um compromisso sério com a responsabilidade fiscal.

Gabriel Barros, economista – chefe da ARX Investimentos, destaca que falta credibilidade às promessas fiscais atuais: “Precisamos fazer um ajuste equivalente a quatro pontos percentuais do PIB — cerca de R 500 bilhões.” Segundo ele, as contas públicas são um problema crítico na administração atual e requerem atenção imediata.

Dentre as reformas sugeridas pelos analistas está a reavaliação das despesas obrigatórias nas áreas de saúde e educação. Barros menciona que atualmente 15% da receita líquida vai para saúde e 18% para educação – essas vinculações precisam ser revistas para garantir investimentos mais eficientes nessas áreas.

A proposta por um planejamento fiscal sustentável

A vinculação das despesas ao salário mínimo também é considerada problemática; cada aumento no salário mínimo gera um crescimento significativo nas despesas governamentais. Além disso, mudanças nas emendas parlamentares poderiam representar uma economia anual expressiva.

Kawauti enfatiza que estabelecer um planejamento fiscal sólido é essencial para garantir estabilidade econômica no longo prazo. “Isso permitirá enxergar as direções que o governo deve tomar nos próximos cinco ou dez anos”, conclui.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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