Marcele Oliveira defende voz de indígenas e comunidades tradicionais nas COPs

A busca por soluções de adaptação às mudanças climáticas é um tema central nos debates internacionais, especialmente nas Conferências das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COPs). Nesse contexto, a ativista Marcele Oliveira aponta que muitas respostas para enfrentar essa crise já existem em territórios preservados no Brasil.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Para ela — comunicadora e pesquisadora —, o conhecimento ancestral detido pelos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, camponesas e periféricas representa uma fonte vital; contudo, falta oportunidade real desses grupos se manifestarem nesses grandes fóruns globais.
Essa visão foi reforçada após sua participação na Caatinga Climate Week (CCW), realizada pelo Centro Sabiá e pelo Instituto Socioambiental (ISA) no Recife (PE).
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O protagonismo dos saberes locais nas COPs
Na COP30, realizada em Belém (PA) em novembro de 2025, Marcele Oliveira destacou a necessidade urgente de dar voz àqueles cujas vidas são moldadas diariamente pelos efeitos da crise climática. Segundo ela, o conhecimento acumulado nessas comunidades não pode ser ignorado pelas negociações internacionais sobre clima.
A ativista, escolhida pelo governo brasileiro como Jovem Campeã do Clima da COP30, levou essa perspectiva aos debates no Recife. O encontro colocou um bioma específico, a Caatinga do semiárido, no centro das estratégias de adaptação ao aquecimento global.
Da periferia carioca às demandas de justiça climática
O engajamento político-ambiental da comunicadora começou, segundo ela própria, com a experiência cotidiana morando nas áreas periféricas do Rio de Janeiro. Ela recorda que cresceu no bairro Realengo percebendo uma disparidade: enquanto outras regiões possuíam mais parques ou museus e espaços verdes para lazer, seu trajeto diário não tinha nada disso disponível na Mata Atlântica local.
Esse incômodo inicial fez Marcele perceber o valor dessa luta pela criação urbana em sua comunidade; hoje entende ativismo climático também como um ato profundo de reconhecimento à condição humana ligada ao território onde se vive.
Justiça climática
Marcele Oliveira enfatiza que discutir adaptação está ligado à justiça climática global. “Alguém tem que pagar essa conta”, argumenta. Segundo ela, os países desenvolvidos devem assumir a maior responsabilidade financeira pelas medidas de adaptação, porque se industrializaram antes e emitiram grandes volumes de gases, o que faz do problema uma questão histórica de desigualdade na economia mundial.
Para ela, a COP30 abriu espaço para que o Sul Global ocupe maior protagonismo nas negociações climáticas, com suas próprias perspectivas sobre a crise que afeta as populações mais vulneráveis e menos responsáveis pelas emissões históricas.
Resiliência aprendida nos biomas brasileiros
Se as soluções para a crise exigem cooperação em escala planetária, Marcele defende um ponto prático e fundamental aos negociadores internacionais do clima. Eles precisam aprender com aqueles territórios cujos habitantes convivem há séculos diretamente com eventos climáticos extremos já ocorrendo no Brasil inteiro.
Essa percepção foi consolidada durante sua visita à Caatinga Climate Week (CCW). Foi ali que ela começou a entender como os próprios ciclos naturais desse semiárido desenvolveram estratégias incríveis de adaptação frente tanto às secas quanto ao excesso de chuvas.
A ativista conclui: “Quem me apresentou essa realidade foram amigos… A própria caatinga sabe lidar”.
Assim, o encontro não apenas lembrou a importância da COP30 em Belém; ele reforçou uma verdade maior para todos os biomas brasileiros. Para Marcele Oliveira, resiliência é aprender com quem já tem esse conhecimento profundo sobre o próprio território.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.
Editoria:
Redação Política
A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



