Manuscritos do Mar Morto: estudo explica o calendário de 364 dias de Qumran

Pesquisa da Universidade de Tel Aviv indica que a comunidade usou o calendário solar nos primeiros anos e o abandonou porque ele se descolava das estações.

2 min

O Calendário de Qumran era utilizado pela comunidade dos Essênios, grupo judaico que viveu próximo ao Mar Morto entre os séculos II a.C. e I d.C | Foto: Reprodução

O calendário de Qumran, de 364 dias, foi durante décadas um dos maiores enigmas ligados aos Manuscritos do Mar Morto. Um estudo recente propõe agora uma resposta sobre como ele funcionava e por que deixou de ser usado.

A pesquisa é da professora Eshbal Ratzon, da Universidade de Tel Aviv, e foi publicada na revista acadêmica Tarbiz. Ela combinou cálculos astronômicos com trechos dos manuscritos, que chegaram aos dias de hoje em fragmentos.

Como funcionava

O calendário era usado pela comunidade de Qumran, grupo religioso judeu tradicionalmente identificado com os essênios, que viveu perto do Mar Morto entre os séculos 2 a.C. e 1 d.C.

Enquanto as autoridades religiosas de Jerusalém seguiam um calendário baseado nos ciclos da Lua, o de Qumran tinha um ano fixo de 364 dias, ou exatamente 52 semanas. Assim, as festas caíam sempre no mesmo dia da semana, com datas previsíveis e sem depender da observação lunar.

Essa diferença mudava as datas de festividades importantes e era um dos pontos de atrito entre a comunidade e a liderança religiosa de Jerusalém.

A explicação

Segundo o estudo, a comunidade de fato usou o calendário nos primeiros anos. Como o ano de 364 dias é mais curto que o ano solar, as datas foram se descolando aos poucos das estações, e o sistema acabou abandonado.

A pesquisa contesta duas hipóteses antigas: a de que a comunidade acrescentava dias ou semanas de tempos em tempos para corrigir o calendário e a de que ele nunca teria sido usado na prática.

Leia também

Impacto nos estudos

Entender a lógica do calendário ajuda os historiadores a interpretar registros de práticas religiosas e de eventos da comunidade descritos nos manuscritos encontrados nas cavernas do Mar Morto. Quase 20 dos textos achados em Qumran tratam de calendário e astronomia.

Para os pesquisadores, o trabalho mostra como a combinação entre astronomia e história pode ajudar a esclarecer mistérios de mais de dois mil anos.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

A Redação Entretenimento reúne a cobertura do Clique Fatos sobre famosos, TV, novelas, cinema e cultura pop. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.