Lula vai ao 2º turno sem ampliar a frente de 2022; Flávio soma Cury, Caiado e Zema

Cinco partidos aderiram ao senador do PL, e o MDB rachou: 17 diretórios estaduais apoiam Flávio Bolsonaro, enquanto dez, no Norte e Nordeste, ficaram com Lula.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O senador Flávio Bolsonaro (PL) reuniu uma frente de direita para disputar o segundo turno no domingo (25), enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não conseguiu ampliar a frente ampla montada nas eleições de 2022. A avaliação é de especialistas ouvidos pela CNN.

Para os analistas, o petista não atraiu novos apoios de adversários históricos ou de nomes com pensamento diverso, como ocorreu há quatro anos. Naquela eleição, Lula teve o respaldo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de Armínio Fraga, ex-presidente do BC (Banco Central).

Frente de Lula perdeu peso simbólico desde 2022

No segundo turno de 2022, Lula também contou com Simone Tebet (MDB), terceira colocada no primeiro turno, e levou Geraldo Alckmin (PSB) como vice na chapa.

“Em 2026, vimos Lula tentar reeditar essa frente ampla — e eu nem digo que ele não conseguiu, porque os atores que estavam em 2022, em parte, também estão agora. É o caso da Tebet. Mas em termos retóricos e simbólicos, a frente hoje não tem o mesmo peso”, afirma a cientista política Mariana Chaise, pesquisadora do CESOP (Centro de Estudos de Opinião Pública).

Além da falta de novas figuras, os especialistas apontam outro fator: Lula agora ocupa a Presidência da República. Em 2022, ter Alckmin como vice funcionava como símbolo em defesa da democracia. Hoje, a dupla precisa defender o que o governo entregou e apresentar perspectivas para um próximo mandato.

Flávio reúne cinco partidos e ex-adversários do 1º turno

Entre os apoios declarados a Flávio estão os de Augusto Cury (Avante), terceiro colocado na primeira etapa, e de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que também foram candidatos. Os partidos que aderiram ao senador são União Brasil, Progressistas, Republicanos, Novo e Podemos.

O MDB rachou: 17 dos 27 diretórios estaduais decidiram apoiar Flávio. Os dez restantes, localizados no Norte e no Nordeste, formalizaram apoio a Lula.

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“Além disso, seria importante para Lula conseguir o apoio de partidos que têm representação no parlamento e nas regiões brasileiras. Isso poderia ser decisivo. Do outro lado, Flávio Bolsonaro conseguiu uma parte importante de siglas do centro para a direita”, diz Sávio Cavalcante, professor de sociologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Bolsonarismo hegemoniza a direita, dizem especialistas

Para Cavalcante, o senador repete um movimento iniciado em 2018. “Flávio conseguiu fazer algo que o bolsonarismo vem fazendo desde 2018, que é hegemonizar o campo das direitas. E neste sentido, vale considerar inclusive o apoio do centro, que se alia a ele por cálculos políticos e eleitorais de sobrevivência e viabilidade”, avalia.

Chaise atribui o cenário ao enfraquecimento do centro. “O esvaziamento do centro aconteceu em 2022 porque o PSDB declinou enquanto partido, e também porque elementos que historicamente se vincularam a este campo foram para a direita”, explica.

“É neste contexto que Flávio está organizando parceiros e partidos que já têm em grande medida uma identidade com a agenda dele e, de maneira ampla, com o bolsonarismo. O que aconteceu foi uma atração natural de candidatos que já tinham pautas muito próximas”, conclui a pesquisadora.

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