Lula defende investigar Moraes, mas evitará explorar tema nas redes

Lula defende investigar Moraes, mas evitará explorar tema nas redes, enquanto o PT busca blindar a campanha do impacto da crise no STF.

15/09/2026 11:29

3 min

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) tomou conta da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Nos bastidores, aliados do petista passaram a aconselhá – lo a defender a abertura de uma investigação sobre o caso, e há quem sugira que isso envolva até mesmo o próprio filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

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A movimentação ocorre em meio a um cenário eleitoral que, segundo avaliações internas do PT, mudou de forma drástica.

O núcleo duro do partido, no entanto, enfrenta um dilema. A preocupação é que a crise, que já chegou ao STF, seja usada pelo principal adversário de Lula na disputa presidencial. A alegação de integrantes da campanha é de que o senador opositor vem utilizando os desdobramentos no tribunal para alimentar um viés de confirmação das teorias que o bolsonarismo difunde sobre a corte desde a trama golpista.

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Em outras palavras, o temor é que o caso sirva de combustível para o discurso de que o Judiciário age de forma parcial.

Reunião de emergência e freio de arrumação na campanha

Na última quinta – feira (10), o PT convocou uma reunião de emergência para discutir a crise no STF, os impactos para a campanha de Lula e as medidas de reação. O encontro foi motivado pelos resultados pessimistas das últimas pesquisas eleitorais, que acenderam um alerta no partido.

A avaliação interna é de que a conjuntura mudou completamente após a eclosão da crise, e que é preciso um freio de arrumação na campanha.

Após a discussão, a sigla publicou uma resolução interna em que reforça a defesa de uma reforma do Judiciário. O documento também abre caminho para discussões sobre a adoção de mandatos para os ministros do STF e de outras cortes superiores.

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A ideia, segundo petistas, é tentar blindar a corte de interferências externas e, ao mesmo tempo, dar uma resposta à crise que ganhou as manchetes.

Antes mesmo da reunião, Lula já havia recalibrado seu discurso. O presidente passou a cobrar investigações e a quebra “completa” do sigilo do caso do Banco Master. O PT chegou a ir ao STF com essa demanda, na tentativa de demonstrar transparência e de se antecipar às críticas da oposição.

O dilema do PT em meio à crise

O principal questionamento no núcleo duro do PT gira em torno da utilização da crise na disputa presidencial. Há quem veja um risco de que o assunto desvie o foco das propostas de governo e fortaleça o discurso do principal opositor. Por outro lado, integrantes da campanha são enfáticos em aconselhar Lula a defender a abertura de uma investigação, inclusive em relação ao próprio filho, Lulinha.

A estratégia, segundo aliados, é mostrar que o presidente não tem nada a esconder e que está disposto a colaborar com as investigações. A ideia é evitar que o caso se transforme em uma arma contra Lula nas urnas. No entanto, a decisão final sobre como lidar com a crise ainda é motivo de debate dentro do partido.

Enquanto isso, o PT tenta equilibrar a defesa do Judiciário com a necessidade de uma resposta política à crise. A resolução interna publicada após a reunião de emergência é vista como um primeiro passo nesse sentido. A sigla espera que a defesa de uma reforma do Judiciário e a abertura de investigações possam conter os danos à campanha de Lula e evitar que o caso continue a alimentar o discurso da oposição.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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