Lula critica lentidão em obras públicas, aponta falhas no IF Cidade de Deus

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou críticas severas à lentidão na execução de obras públicas durante um evento realizado na segunda-feira, 22 de junho de 2026. Em um contexto de anúncio de investimentos na ordem de R$ 702,9 milhões, o mandatário utilizou o caso do Instituto Federal da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, como um exemplo emblemático da burocracia e da falta de acompanhamento na entrega de projetos prometidos.
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O Caso da Cidade de Deus e a Promessa Não Cumprida
O foco da reclamação presidencial recaiu sobre o Instituto Federal da Cidade de Deus. Segundo o presidente, a discussão sobre o edifício que deveria sediar o IF já ocorria em 2024. Naquela época, o então prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), teria informado que o prédio não seria viável para o projeto e que seria necessário buscar uma alternativa de local.
O petista relatou que, após receber a promessa de instalação do instituto, ele anunciou a construção, mas se viu surpreendido ao constatar que, dois anos depois, a obra ainda não havia avançado no local. Lula mencionou ter visto fotografias de moradores protestando e cobrando o andamento do projeto.
O presidente narrou um encontro subsequente com Eduardo Paes, que já não ocupava o cargo de prefeito. Segundo o relato de Lula, Paes teria admitido o esquecimento do compromisso, dizendo: “Puta vida, presidente, eu esqueci de fazer”.
A situação, segundo o presidente, foi então encaminhada ao prefeito interino (PSD), que realizou a desapropriação do terreno e acionou o Ministério da Educação para dar início à obra. O caso ilustra, para Lula, a distância entre o planejamento político e a execução física dos serviços.
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Desafios Burocráticos na Entrega de Infraestrutura
Além do exemplo carioca, o presidente citou outros casos de paralisação de obras. Ele mencionou, por exemplo, o IF do Complexo do Alemão, cuja construção teria sido interrompida devido à presença de um obstáculo natural, como uma pedra no terreno.
Em um desdobramento de seu discurso, Lula também expressou sua surpresa ao constatar que o que ele acreditava ser uma inauguração de obra era, na verdade, apenas uma ordem de serviço. Isso levantou um debate mais amplo sobre a complexidade da gestão pública.
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Ao abordar os entraves do setor, ele conversou com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior. A ministra explicou que o processo é lento, pois, muitas vezes, a autorização inicial de um prefeito não vem acompanhada de um projeto detalhado, e o processo de licitação exige tempo.
Diante disso, Lula reforçou a necessidade de maior celeridade na administração pública. Ele enfatizou que, embora seja possível que um prefeito venha a Brasília e tenha uma ideia coerente, a concretização dessas ideias exige o projeto técnico, que frequentemente se torna o gargalo do processo.
A fala do presidente ressalta que, para que grandes programas federais, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), avancem, é imprescindível que os projetos estejam devidamente estruturados e prontos para licitação, superando as demoras burocráticas.
A manifestação presidencial serve como um alerta sobre a necessidade de maior articulação entre os níveis de governo e a urgência em transformar promessas políticas em infraestrutura funcional para a população.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



