Ministra Lopes: Denúncias de Violência Digital Aumentam 188,6% em 2026

O número de denúncias de violência contra mulheres em ambientes digitais, registradas pelo Disque 180, registrou um aumento significativo de 188,6% nos primeiros cinco meses de 2026. Em comparação com o mesmo período de 2025, os atendimentos saltaram de 5.795 para 16.725 ocorrências, conforme dados divulgados pelo Ministério das Mulheres.
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Com este crescimento, o espaço virtual ascendeu de sétima para quinta posição entre os locais que concentram o maior volume de relatos de violência no país.
Aumento dos Registros e a Importância dos Dados para Políticas Públicas
Durante uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, explicou que o expressivo crescimento nos casos não indica necessariamente um aumento da violência em si, mas sim uma melhoria nos mecanismos de registro e acompanhamento das ocorrências.
Segundo a ministra, a ampliação e o aprimoramento dos sistemas de coleta de dados são cruciais para que o governo possa elaborar políticas públicas mais precisas e eficazes.
Márcia Lopes enfatizou a importância do realismo nas informações. “É fundamental ter os dados que refletem a realidade. Somente quando tivermos um nível maior de realismo nas informações, os governos e as políticas públicas conseguirão acertar nas respostas”, declarou.
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A coleta detalhada desses dados permite um direcionamento mais cirúrgico das ações de proteção e assistência.
Atualmente, a central de denúncias processa um alto volume de chamadas. Estima-se que aproximadamente 30% dos atendimentos do Disque 180 resultem em denúncias formais. O restante das ligações é dedicado a fornecer orientações sobre direitos, indicar canais de atendimento adequados ou sugerir medidas protetivas emergenciais às vítimas.
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Aprimoramento do Protocolo e Combate a Novas Formas de Agressão Digital
Para acompanhar a evolução das ameaças virtuais, o protocolo de atendimento do Disque 180 foi atualizado. O treinamento das atendentes passou a incluir o reconhecimento de diversas modalidades de abuso digital. As profissionais estão aptas a identificar casos de perseguição virtual, também conhecido como *stalking*, além de invasão de contas e a divulgação não autorizada de imagens de teor íntimo.
O treinamento também aborda ameaças mais sofisticadas, como a chantagem realizada online e o uso de inteligência artificial na criação de *deepfakes*. Além disso, o suporte agora inclui orientação detalhada sobre como preservar provas digitais e como acionar tanto as plataformas quanto os órgãos de segurança pública para o registro de boletins de ocorrência.
O escopo de atendimento foi expandido para incluir a violência política de gênero e ataques direcionados em contextos eleitorais. A ministra também mencionou que o Ministério está direcionando esforços específicos para proteger mulheres jovens, em resposta ao crescente volume de conteúdos misóginos disseminados em comunidades digitais, frequentemente denominadas “machosfera”.
As denúncias recebidas são sistematicamente encaminhadas aos órgãos competentes, especialmente às forças de segurança dos estados. O prazo médio estabelecido para a análise e o envio desses casos aos órgãos de investigação é de 43 horas.
Paralelamente, a ministra das Mulheres defendeu veementemente a aprovação do projeto de lei que visa criminalizar a misoginia, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados.
A defesa da criminalização, segundo Márcia Lopes, é um passo estratégico que permite incorporar a misoginia como crime dentro das campanhas de conscientização. Isso facilita o diálogo com outras políticas públicas, promovendo uma mudança cultural abrangente e institucionalizada no país.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



