Lula: banco dos Brics representa uma alternativa ao protecionismo e ao unilateralismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (4.jul.2025) que o banco dos Brics atua como uma alternativa global ao protecionismo e ao retorno das políticas unilateralistas em contraposição ao modelo multilateral. O petista defendeu o uso de moedas locais no comércio entre os países integrantes do bloco econômico como estratégia para evitar flutuações cambiais relacionadas ao dólar.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A utilização de moedas locais passou a ser uma característica notável, afirmou o presidente em pronunciamento durante a abertura da reunião anual do NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), que ocorreu no Rio.
Lula afirmou ter conhecimento de que as conversas entre os membros do bloco sobre a ampliação das transações financeiras em moedas locais são “complexas” devido às divergências. Segundo o petista, 31% do comércio dentro do bloco utiliza outras moedas que não o dólar.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ao proferir seu pronunciamento, omitiu referências aos Estados Unidos ou ao presidente norte-americano, Donald Trump (republicano), ao abordar o desenvolvimento do protecionismo global. Anteriormente, a ex-presidente Dilma Rousseff, atual líder do banco dos BRICS, também o fez. Afirmou que tarifas e sanções são empregadas para a “subordinação política”.
Para Lula, o NBD e outros bancos de desenvolvimento nacionais devem progredir na criação de opções ao financiamento para países em desenvolvimento ou carentes.
Leia também
Não é possível prosseguir no século XXI tratando a questão do financiamento da mesma maneira. É preciso uma nova forma de financiamento para países em desenvolvimento e pobres, ou esses países continuarão pobres por mais um século. Não se trata de doação de dinheiro, é empréstimo para que as pessoas possam se desenvolver.
Lula proferiu um discurso diante de uma audiência composta por ministros de finanças e diretores de bancos centrais dos países membros do BRICS. Inicialmente, fez uma piada sobre estar nervoso, pois nunca havia se pronunciado perante tantos líderes bancários simultaneamente. Em seguida, declarou que não poderia deixar escapar a chance de solicitar uma nova perspectiva sobre o financiamento internacional.
O presidente afirmou que o modelo de austeridade defendido por instituições financeiras “não deu certo em nenhum país do mundo” e que a exigência por austeridade levou “países a ficarem mais pobres” e outros, “mais ricos”.
O petista declarou que há muito tempo não observava o mundo carente de lideranças políticas e organismos multilaterais, como a ONU, tão enfraquecidos. Afirmou que o sistema multilateral vive seu pior momento desde a 2ª Guerra Mundial.
“A questão não é econômica, é política. […]. A ONU, que foi capaz de criar o Estado de Israel, não é capaz de criar o Estado Palestino. Não é capaz de acabar com o genocídio de mulheres e crianças em Gaza. Por isso que a discussão sobre uma nova moeda é extremamente importante”, declarou.
Fonte por: Poder 360
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



