Nações africanas buscam tecnologias brasileiras para segurança alimentar; o que está em jogo?

Nações africanas estão se voltando para o Brasil em busca de soluções para segurança alimentar. Quais tecnologias podem transformar a produção de carne e leite

15/06/2026 03:26

4 min

Nações africanas buscam tecnologias brasileiras para segurança alimentar; o que está em jogo?
(Imagem de reprodução da internet).

Busca por Segurança Alimentar na África

A crescente demanda por segurança alimentar tem levado diversas nações africanas a intensificar a busca por tecnologias desenvolvidas pela pecuária brasileira. Além de adquirir animais e material genético, governos e produtores do continente estão em busca de soluções completas no Brasil para aumentar a produção de carne e leite em regiões de clima tropical.

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Esse movimento tem impulsionado as exportações de genética zebuína e ampliado a presença de empresas brasileiras na África.

Os números do comércio exterior já refletem a importância crescente desse mercado. Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 392 milhões em gado vivo e material genético bovino para países africanos, evidenciando o fortalecimento das relações comerciais entre o continente e o agronegócio brasileiro.

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Esse cenário é acompanhado por um momento positivo para o setor de genética bovina.

Expansão da Genética Bovina Brasileira

De acordo com Luis Adriano Teixeira, presidente da ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial), 2025 foi um ano favorável para a atividade, com crescimento expressivo na entrada de doses de sêmen no mercado e no volume de comercialização.

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Nesse contexto, a África se destaca como uma das principais apostas para a expansão da genética bovina brasileira.

Bento Mineiro, sócio-fundador da Zebuembryo, afirma que o continente já representa cerca de 40% das exportações de embriões da empresa, e essa participação deve aumentar nos próximos anos. Ele destaca que a África é uma fronteira ainda inexplorada, com baixa adesão à tecnologia, mas com um potencial enorme em termos de demanda por segurança alimentar e produção de alimentos.

Modelo de Produção Tropical

O interesse dos países africanos vai além da compra de genética. Eles buscam conhecer e implementar o modelo de produção tropical desenvolvido pelo Brasil, que é considerado uma referência mundial para regiões com características climáticas semelhantes.

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Bento ressalta que a agropecuária tropical brasileira tem obtido sucesso em diversas frentes, com o zebu como protagonista na pecuária.

O pacote tecnológico brasileiro inclui genética zebuína, pastagens adaptadas, sanidade animal, sistemas de manejo e equipamentos voltados à produção eficiente de carne e leite em ambientes tropicais e subtropicais. “A agropecuária tropical brasileira é a solução mais adequada para essas realidades”, afirma Bento.

Missões Internacionais e Interesses Crescentes

O aumento das missões internacionais ao Brasil também evidencia o crescente interesse. A ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) tem recebido delegações africanas, compostas por ministros da Agricultura, representantes de governos, pesquisadores e empresários, interessados em conhecer as tecnologias desenvolvidas no país.

Na última edição da Expozebu, realizada em Uberaba (MG), mais de 700 estrangeiros de mais de 40 países participaram do evento, com uma significativa presença de visitantes africanos.

Esses países buscam ser mais eficientes e fortalecer sua produção local, diante da crescente demanda por segurança alimentar e pela capacidade de produzir mais proteína internamente. Bento Mineiro observa que a preocupação com a produção local de alimentos aumentou após eventos que expuseram vulnerabilidades nas cadeias globais de abastecimento, como a pandemia e conflitos internacionais.

Investimentos e Expansão da Zebuembryo

O avanço dos negócios na África tem impulsionado investimentos na estrutura da Zebuembryo. A empresa está ampliando a capacidade do laboratório de produção de embriões e as áreas destinadas à quarentena e preparação dos animais para exportação.

Atualmente, a companhia produz cerca de 22 mil embriões por ano, com a expectativa de alcançar aproximadamente 30 mil no próximo ciclo produtivo e, futuramente, até 60 mil embriões anuais.

A expansão ocorrerá na unidade de Uberaba (MG), um dos principais polos mundiais da genética zebuína. Além da África, a Zebuembryo também está de olho em novos mercados no Sudeste Asiático, com países como Indonésia, Vietnã, Tailândia e Camboja demonstrando interesse pela genética brasileira.

Oportunidade Comercial e Fortalecimento da Imagem Brasileira

O trabalho de abertura de mercados conta com o apoio da ABCZ, da ApexBrasil, do Ministério da Agricultura e da rede de adidos agrícolas brasileiros no exterior. Bento Mineiro destaca que a genética zebuína é uma tecnologia genuinamente brasileira, que pode desempenhar um papel estratégico em diversos países tropicais.

Para Bento, o avanço da genética bovina brasileira no exterior representa mais do que uma oportunidade comercial. Trata-se da exportação de um modelo produtivo desenvolvido no Brasil, que vem sendo adotado por países que buscam ampliar sua capacidade de produzir alimentos. “Isso fortalece não apenas a exportação de genética, mas também a imagem da agropecuária brasileira e abre portas para outros produtos do país”, conclui.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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