Lula avalia indulto, graça ou ADC no STF para encurtar prisão de Bolsonaro, diz Folha

Aliados do PT veem na iniciativa uma forma de reduzir a pressão por anistia no Congresso e evitar nova crise com o STF.

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Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Foto: Reprodução/InfoMoney

Integrantes do círculo mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem que ele avalie um caminho jurídico para reduzir o tempo de prisão de Jair Bolsonaro (PL). Para eles, uma iniciativa partida do Planalto poderia aliviar a pressão por anistia no Congresso e evitar uma nova crise com o Supremo Tribunal Federal (STF).

A proposta foi revelada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, em meio às articulações para a presidência do Senado em 2027. Lula não anunciou qualquer iniciativa nesse sentido, e a possibilidade ainda se limita às conversas de bastidores.

A oposição, reforçada pelas eleições de outubro, quer intensificar a cobrança pela libertação de Bolsonaro e pela análise de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo, sobretudo Alexandre de Moraes. Aliados de Lula temem que esses temas tomem os primeiros meses do quarto mandato e atrasem medidas econômicas que o governo considera prioritárias.

Quais alternativas estão em discussão?

Uma das hipóteses é o presidente conceder indulto ou graça a Bolsonaro. Os dois instrumentos constam da Constituição e permitem extinguir a pena, mas não apagam por completo os demais efeitos da condenação.

Esses mecanismos não se confundem com a anistia, cuja concessão precisa de aprovação do Congresso Nacional. Integrantes do PT também cogitam levar ao STF uma ação em defesa da constitucionalidade da Lei da Dosimetria, que mudou o cálculo das penas ligadas aos atos de 8 de janeiro de 2023 e à tentativa de golpe.

O Congresso aprovou a lei após derrubar um veto de Lula, em abril, e ela foi promulgada em maio. O texto pode encurtar o período necessário para a progressão de regime de condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito. Mas Alexandre de Moraes, relator de uma ação que questiona a norma, suspendeu sua aplicação.

Segundo a Folha, aliados do presidente avaliam apresentar uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC), para que o Supremo confirme a validade da lei. Uma eventual redução da pena dependeria da interpretação do STF e de um novo cálculo. Mesmo assim, a medida não devolveria a Bolsonaro seus direitos políticos.

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Disputa pelo comando do Senado eleva a pressão

A discussão avança enquanto Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tenta montar apoio para continuar na presidência do Senado. Ele precisa lidar com a movimentação de Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), que tentam reunir os votos da direita.

Uma reportagem da Folha de S.Paulo publicada em outubro afirmou que Alcolumbre também conversava com aliados sobre uma solução para a situação de Bolsonaro, dentro das negociações pela sua reeleição. O comando do Senado tem peso especial porque cabe ao ocupante do cargo conduzir a tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Com o PL mais forte na próxima legislatura, aliados de Lula temem que a oposição use esses instrumentos para ampliar a pressão sobre o governo e sobre a Corte.

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