Liraglutida é aprovada pela Anvisa em genéricos e tem diferenças para Ozempic e Mounjaro

Os genéricos de liraglutida da EMS exigem aplicação diária e têm eficácia menor para emagrecimento que Mounjaro e Ozempic.

Novo medicamento análogo do GLP-1 [e feito à base de liraglutida e será fabricado 100% no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na última semana dois novos medicamentos genéricos à base de liraglutida. Os produtos, fabricados pela farmacêutica EMS, são indicados para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, mas trazem diferenças importantes em relação a outros princípios ativos populares, como a semaglutida (usada no Ozempic) e a tirzepatida (do Mounjaro.

A principal distinção está na frequência de aplicação. Enquanto os remédios com semaglutida e tirzepatida exigem uma dose semanal, a liraglutida tem menor tempo de ação e precisa ser aplicada diariamente. Além disso, a potência para perda de peso é inferior: a liraglutida proporciona uma eficácia menor que a tirzepatida, considerada a opção com maior média de emagrecimento entre as três.

Mecanismo de ação e diferenças entre as moléculas

Liraglutida e semaglutida são moléculas análogas ao GLP-1, um hormônio que sinaliza ao cérebro a sensação de saciedade. Elas atuam diminuindo o apetite, aumentando os níveis de insulina e equilibrando o açúcar no sangue. Já a tirzepatida é classificada como uma molécula duplo agonista, pois age tanto nos receptores de GLP-1 quanto nos de GIP, o que potencializa os efeitos de controle glicêmico e redução de peso.

A liraglutida é o princípio ativo dos medicamentos Olire e Lirux, ambos da EMS, e de outros dois que já foram descontinuados, o Saxenda e o Victoza, da Novo Nordisk. O Olire é indicado para pacientes com obesidade ou sobrepeso e IMC acima de 27, desde que associado a comorbidades como hipertensão, dislipidemia (colesterol alto), risco cardiovascular, doenças renais ou coronárias.

Já o Lirux é voltado para adultos, adolescentes e crianças acima de 10 anos com diabetes tipo 2, quando dieta e exercício físico não são suficientes para controlar a glicemia.

Eficácia e novos registros

Segundo estudos clínicos, o Olire apresenta eficácia média de 8% a 10% de perda de peso ao longo de seis meses a um ano de tratamento. Em abril deste ano, a Anvisa já havia informado que cinco medicamentos à base de liraglutida estavam registrados no país, de dois laboratórios, e que havia sete pedidos de registro em análise.

Os novos registros foram publicados no Diário Oficial da União (DOU) nesta terça – feira (8). Os produtos, Olire e Lirux, têm 6 mgmL de liraglutida em solução injetável para aplicação subcutânea. As autorizações têm validade até setembro de 2036.

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Na decisão, os medicamentos são classificados como “genérico – registro de medicamento – clone”, o que significa que os novos registros têm como referência os medicamentos já comercializados pela própria EMS.