Gêmeos que dividem a placenta exigem pré-natal mais rigoroso

Quando uma ultrassom revela que a gestação é de gêmeos, a primeira pergunta dos futuros pais costuma ser se os bebês serão idênticos. Para o obstetra, porém, a questão mais urgente é outra: quantas placentas e bolsas amnióticas existem? A resposta a essa pergunta, que define a corionicidade e a amnionicidade da gravidez, é o que vai ditar, desde o início, os riscos e a frequência do pré – natal.
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Nem toda gestação gemelar carrega o mesmo perigo. Há três cenários principais: o de gêmeos dicoriônicos e diamnióticos, em que cada um tem sua própria placenta e bolsa; o monocoriônico e diamniótico, com placenta dividida, mas bolsas separadas; e o mais raro, monocoriônico e monoamniótico, em que os bebês compartilham tanto a placenta quanto o saco gestacional.
Essa diferença anatômica muda completamente o acompanhamento médico.
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O diagnóstico que precisa ser feito cedo
O momento ideal para classificar a gestação gemelar é ainda no primeiro trimestre. As diretrizes da International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology (ISUOG) recomendam que a corionicidade seja determinada antes de 13 semanas e 6 dias.
Nessa fase, o ultrassom consegue captar sinais da membrana que separa os fetos e sua ligação com a placenta, o que torna a classificação mais precisa.
Por isso, o exame inicial de uma gravidez de gêmeos vai muito além de confirmar a existência de dois bebês, ouvir os batimentos cardíacos e calcular a idade gestacional. Ele fornece um dado que vai definir a periodicidade dos exames e o nível de vigilância nos meses seguintes.
Também ajuda a esclarecer uma confusão comum: gêmeos com placentas separadas podem ser fraternos ou idênticos, dependendo da origem. Já os que dividem a placenta são, na maioria dos casos, monozigóticos. Para a família, saber se são idênticos tem um peso afetivo.
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Para o pré – natal, o dado crucial é se eles compartilham a circulação placentária.
Por que compartilhar a placenta eleva o risco
Nas gestações monocoriônicas, os dois fetos usam a mesma placenta e podem ter vasos sanguíneos interligados. Na maior parte do tempo, essas conexões não geram problemas graves. Mas, em alguns casos, o equilíbrio entre as circulações se desregula.
A complicação mais conhecida é a síndrome de transfusão feto – fetal, em que um dos gêmeos doa sangue para o outro de forma desequilibrada. O doador fica com menor volume sanguíneo e líquido amniótico reduzido, enquanto o receptor recebe sangue em excesso, podendo sofrer sobrecarga cardiovascular.
A condição exige diagnóstico precoce, pois os casos mais sérios podem precisar de tratamento ainda durante a gestação.
Existem ainda outras complicações, como a sequência anemia – policitemia (TAPS), em que pequenas conexões vasculares causam uma transferência crônica de sangue, deixando um feto anêmico e o outro com excesso de glóbulos vermelhos. Há também a restrição seletiva do crescimento fetal, quando um dos bebês cresce menos, muitas vezes por causa de uma distribuição desigual da placenta.
Esses cenários mostram que não basta dizer que a gestação é “de gêmeos”. A forma como os fetos estão organizados dentro do útero altera o risco e exige uma estratégia de acompanhamento específica.
Um pré – natal sob medida
Para gestações monocoriônicas diamnióticas sem complicações, a recomendação é de uma vigilância ultrassonográfica mais frequente. A Society for Maternal – Fetal Medicine orienta que o rastreamento da síndrome de transfusão feto – fetal comece na 16ª semana e seja repetido a cada duas semanas até o parto.
Nesses exames, os médicos avaliam a quantidade de líquido amniótico de cada bebê, a visualização das bexigas, o crescimento fetal e, quando necessário, estudos com Doppler.
Essa frequência maior não significa que um problema vá aparecer, mas sim que complicações específicas podem surgir e que identificá – las cedo amplia as chances de intervenção. Quando uma alteração importante é diagnosticada, a gestante pode precisar ser encaminhada a uma equipe de medicina fetal.
Em certos estágios da síndrome de transfusão feto – fetal, por exemplo, é possível tratar por fetoscopia com laser, interrompendo as comunicações vasculares anormais da placenta.
Toda gestação gemelar exige mais atenção para complicações como prematuridade e alterações do crescimento. Mas a ideia de que o risco simplesmente dobra porque há dois bebês é uma simplificação. O que realmente importa é entender qual o tipo de gestação gemelar.
Por isso, uma informação aparentemente técnica, obtida logo no início, é tão valiosa. Saber quantas placentas e bolsas existem permite planejar o pré – natal antes mesmo que qualquer problema apareça.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



