LinkedIn limita o alcance de posts genéricos de IA e orienta usuários a escrever com voz própria

O LinkedIn afirma que melhorias na detecção reduziram em 40% as visualizações de conteúdo classificado como “lixo de IA” e aposta em posts mais pessoais.

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IA no LinkedIn

O LinkedIn ampliou os esforços para reduzir a circulação de publicações genéricas produzidas por inteligência artificial. A empresa passou a usar sistemas de IA para identificar conteúdo de baixa qualidade e limitar seu alcance, além de orientar usuários a escrever de forma mais pessoal.

Melhorias na detecção reduziram em 40% as visualizações de conteúdo classificado como “lixo de IA”, informou a plataforma no mês passado. A medida vem após um botão lançado em agosto para usuários sinalizarem publicações que “parecem ser fruto de inteligência artificial” ter recebido mais de 1 milhão de cliques nas duas primeiras semanas.

Mais de 40% dos textos longos tinham sinais de IA

O LinkedIn foi alvo de piadas na internet por postagens extensas e genéricas, muitas vezes com listas de marcadores, emojis, referências a “vendas B2B” e pedidos para que leitores seguissem ou comentassem. A facilidade de produzir grandes volumes de conteúdo com IA a baixo custo também levou outras plataformas, como You Tube, Pinterest e Spotify, a tentar conter publicações do tipo.

Um relatório divulgado em julho pela Pangram, empresa de pesquisa que monitora conteúdo de IA online, apontou que mais de 40% das postagens de formato longo no LinkedIn foram geradas por IA. No X e no Medium, a proporção ficou em cerca de 30%; no Reddit e no Substack, foi menor.

“Eu sei que você acha que está fazendo a coisa certa com sua lista perfeitamente organizada e seu gancho no topo, e que seguiu todos os conselhos de especialistas do LinkedIn na internet”, disse Dan Roth, editor-chefe do LinkedIn e responsável pela estratégia de conteúdo da plataforma, em entrevista à CNN Internacional. “Mas o que funciona é ser humano”.

Especialistas ajudam a treinar sistemas do LinkedIn

A empresa formou uma equipe composta em grande parte por ex-jornalistas e especialistas em mídias sociais. Eles ajudam a treinar o modelo de IA do LinkedIn para reconhecer publicações autênticas e úteis.

O LinkedIn também mantém uma equipe de gestão de criadores que atua como “terapeutas de conteúdo” para executivos, especialistas e outros usuários. Roth contou que algumas pessoas recorrem a ferramentas como Claude e Gemini para escrever publicações, mas depois procuram a equipe quando o desempenho fica abaixo do esperado.

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“E a melhor coisa a fazer é devolver o material para eles e perguntar: ‘Gostaram de ler? Se identificaram com isso?’”, disse Roth. A orientação é aceitar imperfeições, como gravar vídeos com o celular apoiado em uma xícara de café ou escrever rapidamente para iniciar uma conversa, sem esperar que o texto apresente uma ideia completa.

LinkedIn diz que não é contra o uso de IA

O LinkedIn pertence à Microsoft, que incentiva o uso de ferramentas de IA em atividades como escrita e programação e enfrenta concorrência de empresas como OpenAI e Anthropic. A plataforma já ofereceu recursos para editar ou reescrever publicações, mas reduziu recentemente o escopo dessas funcionalidades.

Roth afirmou que o LinkedIn não é totalmente contrário à inteligência artificial e observou que “nem todos nascem comunicadores”. Para ele, porém, publicações sem edição ou personalização têm menos chance de chegar a um público amplo. “Nós apenas tentamos incentivar as pessoas a serem mais humanas”, disse. “Isso é o que é necessário para conseguir se destacar em meio ao ruído”.

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