Líderes da Otan debatem em Ancara o futuro da aliança com os EUA

Cúpula ocorre sob pressão americana por mais gastos militares e dúvidas europeias sobre o compromisso de Washington.

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Foto: IA por José Inácio Pilar

A cúpula da Otan em Ancara reúne líderes militares e políticos nesta terça e quarta-feira (7 e 8) para debater o futuro de uma aliança que se encontra, segundo analistas, paradoxalmente mais forte e também mais frágil do que há um ano e meio.

O cenário é marcado por pressões significativas dos Estados Unidos para que os aliados aumentem os gastos militares.

Impacto econômico na Europa

O aumento dos investimentos militares tem efeitos distintos nas economias da União Europeia (UE). Segundo estimativa da Agência Europeia de Defesa, os gastos de defesa dos 27 países-membros chegaram a cerca de 2,1% do Produto Interno Bruto em 2025. Esse crescimento, porém, pressiona as finanças públicas dos países com dívida elevada.

Os analistas apontam também riscos adicionais, como pressão sobre a inflação, pela demanda maior, e o encarecimento da importação de equipamentos estratégicos, o que afeta a balança comercial europeia.

O ritmo varia entre os aliados: enquanto Alemanha, países nórdicos e bálticos têm investido pesado em defesa, França e Reino Unido ainda não encontraram um caminho viável para atingir a meta de 3,5% do PIB destinada à área militar. Essa dificuldade tende a reduzir o peso político desses países dentro da aliança.

Dúvidas sobre o compromisso americano

O principal ponto em discussão é o crescente questionamento dos europeus sobre o apoio americano caso um aliado seja atacado. A incerteza aumenta porque parte das lideranças dos EUA parece desconsiderar a Rússia como ameaça e até colocar em xeque os valores que historicamente uniram o bloco transatlântico.

A dúvida não se limita à Europa. Do outro lado do Atlântico, uma pesquisa divulgada pelo site Politico mostrou que apenas 51% dos americanos acreditam que a Otan socorreria os EUA em caso de ataque externo.

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O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, já alertou para possíveis cortes nas contribuições financeiras americanas e sugeriu reorganizar a presença militar dos EUA na Europa com base no quanto cada país gasta, e não na necessidade estratégica.

Protagonismo turco e apoio à Ucrânia

Em Ancara, o anfitrião, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, deve usar o protagonismo diplomático para fortalecer a indústria de defesa da Turquia. Ele também busca pressionar os aliados por acesso ao programa do caça F-35.

A aliança também precisa confirmar o apoio financeiro à Ucrânia: a Otan deverá garantir cerca de 70 bilhões de euros neste ano, valor que será financiado majoritariamente pelos países europeus.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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