Lideranças Indígenas no ATL exigem combate à violência e mais força para o espaço público

Lideranças Indígenas Reivindicam Combate à Violência e Fortalecimento do Espaço Público
Lideranças indígenas articularam nesta quarta-feira, dia 8, a necessidade de fortalecer políticas públicas focadas em dois eixos centrais: o combate à violência contra as mulheres e a disputa pelo espaço público. O objetivo principal é dar mais força às pautas femininas dentro dos territórios indígenas.
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Debate no Acampamento Terra Livre (ATL)
As discussões ocorreram durante a plenária intitulada “Respeitem Corpos e Territórios; Ancestralidade é força, território é vida”, realizada no terceiro dia do Acampamento Terra Livre (ATL). As debatedoras ressaltaram que a violência contra a mulher é um problema social que permeia toda a sociedade, exigindo atenção especial nas terras indígenas.
A Criação de Departamentos Femininos
Para avançar nesse combate, a plenária destacou a importância de as organizações criarem departamentos específicos para mulheres. Atualmente, apenas a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas no Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) conta com essa estrutura.
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Propostas de Ação e Enfrentamento ao Machismo
Uma das sugestões apresentadas foi que a Associação dos Povos Indígenas (Apib) e outros grupos estabeleçam setores dedicados ao enfrentamento do machismo nas comunidades. Cacique Were, da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), enfatizou que mulheres de diversas regiões relatam violências variadas em seus territórios.
“Nós distribuímos por estados e por região para traçar metas e trazer as demandas e angústias. Em quase todas as regiões a fala era a mesma: as violências nos territórios. E precisamos avançar para acabar com isso,” declarou a liderança. Ela mencionou que as agressões não são apenas físicas, mas também simbólicas, como a invisibilização de lideranças.
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Participação Política e Representatividade Eleitoral
Outro ponto crucial debatido foi a necessidade de lançar candidaturas de mulheres indígenas nas eleições do ano corrente. A Apib informou que, nas eleições de 2022, já havia registrado 85 candidaturas indígenas femininas.
Esse número representa um crescimento expressivo de 193% em comparação a 2014, quando apenas 29 mulheres indígenas haviam se candidatado. Na Câmara dos Deputados, foram eleitas Sônia Guajajara (Psol-SP), Célia Xakriabá (Psol-MG), Juliana Cardoso (PT-SP) e Silvia Waiãpi (PL-AP).
Disputando o Espaço Político
Thais Campos, coordenadora da Apoinme, acredita que é vital disputar o espaço político para evitar que interesses de latifundiários e empresários influenciem o voto indígena. Segundo ela, o voto indígena possui peso e não está à venda.
“Nós estamos abrindo as portas para que outros possam continuar essa construção. A nossa má organização política nos territórios refletiu a falta de representações durante muito tempo nos espaços Legislativos. Agora precisamos trazer todos para essa responsabilidade,” afirmou, ressaltando o avanço com a eleição de Sônia na capital.
Conclusão: Fortalecendo a Voz Indígena
O encontro reforçou o compromisso das lideranças em articular ações coordenadas, unindo a luta por direitos territoriais com o empoderamento feminino e a participação ativa na política nacional.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



