Leonardo Barreto analisa aceitação de escândalos de corrupção por eleitores brasileiros em 2026

A análise de Leonardo Barreto revela como a polarização e a desconfiança nas instituições têm moldado a aceitação de escândalos de corrupção entre eleitores.

02/07/2026 23:14

3 min

Os jovens representam pouco mais de 1% do eleitorado brasileiro, formado por cerca de 158 milhões de pessoas aptas a votar
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A polarização política e a crescente desconfiança nas instituições de investigação têm levado os eleitores brasileiros a aceitarem com mais facilidade escândalos de corrupção relacionados aos seus candidatos preferidos. Essa análise foi feita por Leonardo Barreto, cientista político e sócio da consultoria Think Policy, em entrevista ao Hora H.

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Ele comentou sobre os resultados da pesquisa Atlas Bloomberg que envolve Flávio Bolsonaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Jaques Wagner.

Barreto explicou que o atual cenário é muito diferente do passado, quando crises similares tinham um impacto maior nas campanhas eleitorais. “As pessoas estão mais dispostas a aceitar a corrupção do lado que apoiam, acreditando que isso é o menor dos males, já que o outro lado pode usar isso para tentar conquistar o poder”, afirmou.

Rejeição elevada e descrença nas instituições

O especialista destacou que os dois principais candidatos à presidência enfrentam taxas de rejeição superiores a 50%. Isso cria um ambiente onde cada grupo de eleitores tende a ser mais tolerante em relação às falhas de seu próprio campo político.

Além da polarização, Barreto apontou uma segunda razão para essa normalização dos escândalos: a falta de confiança nos órgãos responsáveis pelas investigações.

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O caso Jaques Wagner e a estratégia de Lula

Sobre a situação envolvendo Jaques Wagner, Barreto considerou que o principal risco reside no aprofundamento das investigações e na possibilidade de o senador ser levado ao banco dos réus. No entanto, ele minimizou essa chance, pelo menos no curto prazo.

O cientista político acredita que a presença pública de Lula ao lado de Wagner pode ter uma intenção estratégica: reforçar sua narrativa de perseguição política desde sua saída da prisão para concorrer à presidência.

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Flávio Bolsonaro e as divisões no bolsonarismo

No tocante à campanha de Flávio Bolsonaro, Barreto observou indícios de uma revolta interna no chamado bolsonarismo. Ele considera equivocada a ideia de que somente o antipetismo seria suficiente para manter o eleitorado unido. A ineficiência na gestão política das diversas facções desse grupo ficou clara na fala de Michelle Bolsonaro, que levantou pautas feministas e expressou insatisfação entre grupos evangélicos não consultados durante a formação da chapa.

Barreto também avaliou que as condições estão sendo criadas para permitir uma terceira candidatura ganhar destaque assim que a campanha oficialmente começar em agosto. “Estamos criando condições para que as duas candidaturas principais se concentrem mais em seus limites do que em suas possibilidades, abrindo espaço para outros nomes serem considerados pelos eleitores”, ressaltou.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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