Justiça solta PM preso pela morte de Camila, mas o afasta de funções com arma

André Coelho Maximo da Costa ficará restrito a tarefas administrativas e não poderá portar arma; descumprir as medidas cautelares pode levar a nova prisão.

3 min

PM atira e mata mulher à queima-roupa em SP

A Justiça soltou André Coelho Maximo da Costa, policial militar preso em flagrante pela morte de Camila Pereira da Silva, de 32 anos, no Parque São Domingos, na zona Oeste de São Paulo. A decisão foi tomada após audiência de custódia na sexta-feira (16), um dia depois do disparo.

O policial terá de cumprir medidas cautelares: foi afastado das atividades operacionais e das funções que exigem porte de arma, e ficará restrito a tarefas administrativas. Também deverá manter o endereço atualizado e não poderá sair da cidade por mais de 8 dias sem autorização judicial. Se descumprir as condições, poderá ser preso novamente.

Imagens registraram a abordagem no Parque São Domingos

O caso ocorreu na tarde de quinta-feira (15). O agente disparou contra a cabeça da mulher; equipes de socorro foram chamadas, mas constataram a morte ainda no local.

Imagens de câmeras de segurança mostram Camila com uma faca na mão, caminhando em direção a policiais militares. Um deles ordena que ela largue o objeto. Como a mulher continua avançando, um policial dispara.

Pessoas que estavam na região chamaram os agentes por causa da presença da mulher armada. Três policiais tentaram negociar e recuaram quando ela se aproximou.

Informações preliminares indicam que Camila tinha registros policiais anteriores em ocorrências de ameaça, lesão corporal e violência doméstica, como autora e também como vítima. Esses dados ainda passam por verificação.

Delegado apontou indícios de excesso no uso da força

Em interrogatório, o soldado afirmou que não tinha habilitação para usar taser, segundo o boletim de ocorrência do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). O documento não esclarece se ele tinha treinamento para empregar outros instrumentos de menor potencial ofensivo.

Leia também

O taser é um dispositivo elétrico usado por forças de segurança para incapacitar temporariamente uma pessoa. A legislação federal restringe o uso de armas de fogo e de instrumentos de menor potencial ofensivo a profissionais devidamente habilitados.

O delegado responsável considerou que havia indícios de excesso no uso da força e determinou a prisão em flagrante do policial. A avaliação levou em conta as imagens da ocorrência.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que não tolera desvios de conduta e que o caso será investigado pelo DHPP. A pasta disse ainda que foi aberto um Inquérito Policial Militar (IPM), acompanhado pela Corregedoria da PM, e que a arma do agente foi apreendida para perícia.

O local foi preservado até a chegada de equipes do Instituto de Criminalística e Instituto Médico Legal.

Defesa diz que policial seguiu procedimentos da PM

Em nota, a defesa de André afirmou que a prisão tem “cunho político e eleitoreiro”. O advogado Mauro Ribas disse que o policial cumpriu os procedimentos operacionais da Polícia Militar, acionou a COP desde o início da ocorrência e só atirou quando não tinha mais possibilidade de recuar.

A defesa também declarou que a prisão provocou comoção e instabilidade na tropa da Polícia Militar, que interpretou a medida como um recado de desamparo por parte do Governo do Estado e da Corporação.

A Redação Brasil reúne a cobertura do Clique Fatos sobre o noticiário das cidades e dos estados brasileiros. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.