Justiça condena 13 por tráfico de 14 toneladas de cocaína à Europa
Penas de cinco a 54 anos de prisão foram aplicadas aos condenados, e a Justiça determinou a perda de bens como imóveis e aeronaves em favor da União.
A Justiça Federal condenou 13 homens de um grupo acusado de tráfico internacional de drogas e organização criminosa. A sentença, da 22ª Vara Federal de Porto Alegre, aponta que, entre 2020 e 2022, a quadrilha movimentou mais de R$ 3 bilhões e traficou mais de 14 toneladas de cocaína.
As penas variam de cinco a 54 anos de reclusão.
Quatro dos condenados já estão presos preventivamente, um segue foragido e os demais terão medidas cautelares mantidas. A Justiça também determinou a perda de bens apreendidos, como imóveis, aeronaves e veículos, em favor da União. Uma mulher foi absolvida de todas as acusações por falta de provas, assim como um dos réus, inocentado em um dos crimes de tráfico internacional.
Investigação começou com carga de extrato de mimosa
O esquema foi descoberto após a denúncia de um envio para a Alemanha de aproximadamente meia tonelada de cocaína escondida em uma carga de extrato de mimosa, produto usado na fitoterapia. A Operação Hinterland, deflagrada em 2023, investigava o grupo que usava portos brasileiros para armazenar e transportar drogas em cargas lícitas para o exterior.
A investigação identificou dois núcleos que atuavam de forma independente, mas se ajudavam. O primeiro era responsável pelo transporte terrestre, aéreo e marítimo da droga, importando cocaína do Peru, da Bolívia e da Colômbia e distribuindo-a nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Amazonas.
Havia também transporte aéreo entre o norte do Brasil e outros países latinos.
Parceria com máfias da Albânia e de Montenegro
O segundo grupo usava cargas de navios para esconder a cocaína que seria enviada à Europa, com parte da droga também indo para o Rio Grande do Sul. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a cocaína era produzida na Bolívia e na Colômbia, armazenada no Brasil e no Paraguai e enviada pelo mar ao continente europeu.
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O grupo atuava em parceria com máfias da Albânia e de Montenegro para transportar as drogas não só por via marítima, mas também por rotas terrestres e aéreas. Durante as investigações, as equipes localizaram uma estrutura que envolvia empresas de fachada, contas bancárias de passagem, operações de câmbio clandestinas e contratos falsos relacionados ao patrimônio advindo do tráfico.
Para dificultar a identificação, os criminosos usavam diferentes aplicativos de mensagens e codinomes. Havia ainda a cooptação de agentes portuários e acordos com laboratórios estrangeiros para fornecer a droga de forma regular.