Juros futuros na B3 sobem com tensões entre Estados Unidos e Irã

A elevação dos juros futuros na B3 reflete a preocupação dos investidores com a inflação, impulsionada pela escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã.

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BR_CNN_140726_ZOOM_OTAVIO_OLIVEIRA_frame_27651 | Foto: Reprodução/CNN Brasil

Os juros futuros na B3 tiveram forte alta na terça-feira (14) e atingiram novas máximas em meio ao aumento da tensão entre Estados Unidos e Irã. As taxas dos contratos de DI com vencimento em janeiro de 2029 subiram quase 20 pontos-base, revertendo a tendência positiva que prevalecia no mercado.

Antes desse novo cenário geopolítico, os investidores estavam otimistas com a melhora nos dados do IPCA de junho, divulgados pelo IBGE. Essas informações reforçaram as expectativas de cortes na taxa Selic. Além disso, o Boletim Focus do Banco Central indicou uma diminuição na projeção de inflação para 2026, passando de 5,3% para 5,16%.

Impacto do conflito geopolítico

Em entrevista ao CNN Money, Otávio Oliveira comentou sobre a relação entre os eventos geopolíticos e o movimento nas taxas. Ele explicou que a inflação é influenciada por uma série de produtos e que itens como o petróleo têm impacto significativo nos índices de preços no mundo todo. “Se você tem uma alta do petróleo, após os novos ataques e essa escalada militar entre Irã e Estados Unidos, naturalmente o preço do petróleo vai afetar”, disse.

Oliveira acrescentou que essa pressão pode não ser imediata, mas ao longo do tempo pode resultar em um aumento inflacionário. Assim, o mercado tende a exigir um prêmio maior nos contratos de juros futuros para compensar o risco de inflação mais alta.

No entanto, apesar do ambiente externo desfavorável, Oliveira acredita que interromper o ciclo de cortes da Selic seria um desdobramento extremo. Ele observou que a expectativa geral entre os agentes do mercado é continuar reduzindo os juros na próxima reunião do Copom. “O mercado quase que de forma unânime acredita que na próxima reunião o ciclo de corte permanecerá acontecendo”, afirmou.

Expectativas para o Brasil e juros reais

Oliveira também ressaltou que o guidance do Banco Central já apontava nessa direção antes da intensificação das tensões internacionais. Segundo ele, as incertezas trazidas pelo conflito entre Irã e Estados Unidos dificultam previsões mais longas por parte da autoridade monetária. “O Banco Central não consegue fazer estimativas de longo prazo justamente por um cenário externo adverso”, explicou.

Ao discutir a economia brasileira como um todo, Oliveira destacou que o país ainda enfrenta uma das maiores taxas de juros reais quando comparado a economias similares. A manutenção dessas taxas elevadas por longos períodos pode prejudicar a atividade econômica local.

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Contudo, sinais iniciais de desaceleração da inflação estão surgindo e podem se intensificar ao longo de 2026. O especialista alertou que esses processos estão sendo afetados por fatores externos fora do controle do Banco Central. Por isso, a política monetária passou a ser avaliada reunião a reunião para melhor se adaptar às mudanças no cenário econômico.

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