Jonas Pacheco Aponta Racismo na Violência Policial em Relatório
Jonas Pacheco denuncia disparidades raciais na violência policial, revelando impacto devastador em população jovem brasileira.
O relatório “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã” aponta como os mecanismos do racismo estrutural operam na segurança pública brasileira em um cenário de violência policial.
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Jonas Pacheco, pesquisador da Rede de Observatórios de Segurança, explicou que esta é uma nova edição crucial sobre o tema. O estudo revela mais detalhes ainda sobre essa realidade alarmante no país.
Racismo Estrutural nas Mortes por Violência Policial
De acordo com dados apresentados pelo material, cerca de 65% das vítimas analisadas eram jovens até 29 anos. Dentro desse grupo específico, a estatística registra as mortes de outras crianças e adolescentes: há menção às baixas de 312 pessoas na faixa etária entre zero e 17 anos.
“Ele [o relatório] mostra a face seletiva, racial e etária dessas mortes provocadas pela polícia”, destacou Pacheco em entrevista ao Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato.”
A Letalidade Policial no Contexto do Crime Organizado
Pacheco critica o fato de que muitas políticas adotadas para enfrentar facções criminosas acabam sendo letais principalmente contra moradores das periferias. Ele argumenta que essa violência é frequentemente justificada pelo discurso histórico sobre “guerra às drogas”.
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O pesquisador aponta uma incoerência: ele lembra à mídia a maior chacina já registrada na história brasileira, mas explica que esse tipo de ação não enfraquece as organizações criminalizadas.
“Se pensarmos bem,” criticou Pacheco, explicando seu raciocínio; “os consumidores da droga se encontram em regiões consideradas classe média alta e ali raramente vemos o uso ostensivo da força policial.” O foco do excesso de letalidade sempre recaiu nas áreas com grande concentração de jovens negros pobres.
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Assim, apesar dos discursos oficiais sobre combate ao crime, o resultado prático é apenas um aumento no número de corpos sem desmantelar essas facções criminosas.
Desafios Políticos: Extrema Direita e Expansão Territorial
O especialista também vincula a intensificação dessa política perigosa à ascensão ideológica da extrema direita. Segundo Pacheco, as mortes causadas pela polícia demonstram uma sensibilidade muito alta em relação aos tipos de discurso adotados pelos governos estaduais naquele momento específico do ano 2026.
“Em São Paulo,” explicou ele citando exemplos locais; “vimos que com o Olho Vivo — ou seja, câmeras corporais nas fardas —, houve pouco mais de 400 vítimas fatais no período analisado.” Ele ressaltou ainda como é um estado hoje vivendo esse aumento nos dados sobre letalidade policial quando a política sofre mudanças significativas.
Ainda assim, Pacheco aponta outra grande falha: os estados brasileiros demonstram incapacidade geral para lidar efetivamente tanto as milícias quanto grupos ligados ao tráfico. O PCC e CV estão expandindo muito seu domínio territorial em direção aos Norte e Nordeste do país por causa das disputadas rotas de drogas.
Por fim, o pesquisador conclui que embora seja verdade que “o discurso bandido bom é bandido morto” tenha viés eleitoral positivo para certos setores da sociedade; na prática, há uma clara dificuldade nas políticas públicas brasileirasem dar conta desses grandes conglomerados criminosos — incluindo a diversificação dessas atividades no sistema financeiro nacional.