Pablo Nunes aponta violência policial e viés racial em estudo

Um novo estudo intitulado “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã” aponta que a violência policial resultou na morte de mais de 4.300 pessoas em um único ano.
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Os dados cobrem nove estados monitorados no período de 2025, revelando uma estatística alarmante: oito de cada dez vítimas fatais eram negras. Segundo Pablo Nunes, coordenador da Rede de Observatórios da Segurança, essa realidade expõe como fatores estruturais alimentam abusos do poder estatal contra corpos negros.
Racismo eleva risco para população negra
Em entrevista ao Conexão BdF, produzido pela Rádio Brasil de Fato, o pesquisador avaliou que a forma atual empregada pelo Estado para combater crimes é falha e perigosa. Ele enfatizou em suas palavras que nos estados onde atua com observatório, “a proporção de negros entre as vítimas de letalidade policial é muito maior do que a própria representação na população”.
Para Nunes, esse desequilíbrio estatístico comprova um viés racial profundo: “É o racismo que permite que essa pele seja pele – alvo”, afirmou ele, citando tanto o relatório quanto uma música gravada por Emicida.
Modelo violento repete erros sem reflexão
O especialista criticou veementemente os modelos atuais das políticas públicas. Segundo Pablo Nunes, não há sinais concretos no combate à criminalidade; pelo contrário, essas estratégias têm gerado novas vítimas e perpetuam ciclos de violência estatal.
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Ele apontou ainda a continuidade da mesma abordagem em nível nacional — baseadas majoritariamente em operações policiais —, vitimizando pessoas inocentes ou aquelas apenas integradas às quadrilhas do tráfico de drogas que são expostas na cobertura midiática.
Além disso, o modelo mantém uma “narrativa do medo” sustentada pela população. Essa sensação é alimentada tanto pelos grupos criminosos locais quanto por agentes estatais falhos.
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Falha no monitoramento exige dados raciais
Nunes observou um problema grave nos procedimentos operacionais: os próprios profissionais responsáveis garantir segurança muitas vezes repetem estratégias violentíssimas e desatentas aos territórios. Ele citou como exemplo prático a situação em Ceará, onde até pouco tempo não havia registro racial nas informações dos boletins de ocorrência ou registros das vítimas fatais após ações policiais — sendo que 70% desses casos eram assim registrados na época.
O pesquisador reforçou o quão cruciais são esses detalhes para embasar qualquer política pública eficaz. Para ele, “o Brasil se dá muito [a] esse trabalho de não falar sobre os nossos problemas e escamoteá – los”, alertando ainda que as questões sociais nunca desaparecerão apenas por serem afastadas do debate público.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



